AKIRA TORIYAMA – ENTREVISTA KYOKUGEN BATTLE COLLECTION

Kyokugen Battle Collection – Entrevista com Akira Toriyama

Foi lançado em 4 de agosto de 2010, no Japão, o segundo volume do guia KYOKUGEN BATTLE COLLECTION (極限バトルコレクション – Ultimate Battle Collection). É um guia que analisa as batalhas do anime e no final deste há uma pequena entrevista com Akira Toriyama.

A tradução foi realizada por Medamaoyaji, do site www.hoipoi.org

P = Pergunta do guia
T = Akira Toriyama

P: Você passava ordens ou exigências para a equipe durante o processo de animação?
T: O objetivo era deixar tudo nas mãos da equipe. Então, creio que não houve nada desse gênero.
Porém, em um determinado momento, senti que a história fugia demais do foco. Somente nessa hora eu dei cheguei a dar um toque.

P: O que você pensou quando viu a imagem de Goku em movimento pela primeira vez? O que achou da voz dele?
T: Com o cabelo que ele tem, ficava imaginando como iriam fazer com aquele cabelo sem sentido dele. Mas da forma simples como fizeram, gostei bastante.
A voz encaixou perfeitamente no que eu imaginava. Lógico. Eu ouvi a fita do concurso para a escolha dos dubladores e eu quem escolhi (risos).
Na verdade, não sou profundo conhecedor do mundo dos animes. Por isso, quando indiquei o nome de Nozawa Masako, não sabia que se tratava de uma pessoa famosa.

P: Qual foi sua impressão ao ver as batalhas no anime?
T: No manga, como não há movimento, é só desenhar um momento e uma pose para cada momento. Já no anime, é necessário desenhar toda a movimentação entre uma posição e outra. Simplesmente pensei, “Como conseguem fazer toda a movimentação e ainda transmitir a sensação de velocidade. Realmente fazem isso muito bem…” e fiquei bem satisfeito.
Só acho que exageraram no tempo que se levava para fazer o kiai antes de começar uma batalha (risos). Na obra original isso passa num instante. Mas acho que quanto a isso não tem jeito, né (risos)?

P: Com o que você tomava cuidado na hora de desenhar as cenas de batalha na obra original?
T: Eu sempre acreditei que mostrando claramente “lugar”, qual a “relação”, “situação” e “como será a luta” facilitava a mostrar as cenas.
Então, mesmo em filmes, eu não gosto de quando há excesso de demonstração de poder. Acaba virando uma obra com cenas de luta difíceis de se compreender.

P: Quando você pensou criou o Kamehameha, quais foram suas dificuldades em relação tipo de técnica e pose que ela deveria ter?
T: Não dá para criar uma técnica com efeitos discretos num manga.
Desenhar técnicas de estrangulamento ou chaves de forma extravagante ou empolgante é bem complicado.
O Kamehameha é uma técnica que se baseia na emissão do KI em uma rajada. O KI é algo que não se enxerga normalmente. Consegui criar uma técnica chamativa representando o KI como algo visível.
Ainda tinha que nas peculiaridades dos personagens em relação às técnicas. Manter um padrão para tudo isso era bem complicado (risos).

P: Com o que você se preocupava ao criar um adversário forte?
T: Era necessário restringir, de alguma forma, restringir o adversário.
O antagonista anterior, o protagonista, o poder, expressão, que tipo de evolução… Me preocupava em coisas assim.

P: Você já tinha definido desde o princípio no equilíbrio entre os poderes dos personagens?
T: Eu tinha uma idéia de como seria, mas era comum eu mudar à medida que ia fazendo a história.

P: E o resultado das lutas? Você já tinha definido?
T: Isso eu realmente não tinha definido.
Mesmo o Tenkaichi Budoukai, somente o primeiro eu tinha o resultado definido.
Dessa forma, fica emocionante para quem desenha também (risos).

P: Como nasceu a idéia do scouter?
T: Imaginei que sabendo a força e posição em forma de números, fica mais fácil compreender os adversários.

P: Toriyama sensei, cite seus 5 guerreiros preferidos.
T: Son Goku, Kuririn, Mr. Satan, Vegeta e Piccolo (não necessariamente nessa ordem).
Basicamente eu gosto daqueles que falam pouco. É, com certeza, “KAKKOII” (Nota do Tradutor – algo como o termo em inglês “cool”). Desde criança eu acho isso.
Falando nisso, Tenshinhan e Trunks também são assim, né? Está cheio de pesonagens assim (risos). Kuririn não é calado, mas gosto do fato dele ser um personagem que, mesmo enquanto está reclamando, está sempre batalhando e se esforçando.
À princípio, era para ele ter pouca participação na história e não me preocupei muito na hora de criá-lo, Mas quando fui perceber, ele virou o melhor amigo de Goku (risos).
Mr. Satan é o total oposto do personagem calado. Mesmo sendo um personagem bem mesquinho, não é um cara mau. Era divertido desenhá-lo, por isso gosto dele.

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