MANGÁ VS. ANIME

Mangá Vs. Anime

Introdução

Akira Toriyama é o criador da série Dragon Ball que surgiu originalmente no mangá em Novembro de 1984. Devido ao seu enorme sucesso, a TOEI Animation fez de Dragon Ball um anime, exibido pela 1ª vez na TV em Fevereiro de 1986, com o título de Dragon Ball e concluído em Abril de 1989, com 153 capítulos ao todo.

Mas como o mangá continuava sendo produzido e tendo grande êxito, a TOEI Animation continuou a produzir o anime, que passou a se chamar Dragon Ball Z, exibido pela 1ª vez em Abril de 1989. Em Maio de 1995, com 519 episódios, Akira Toriyama concluiu de vez a série do mangá, mas o anime continuou a ser produzido até Janeiro de 1996.

Após o fim de Dragon Ball Z, que teve ao todo 291 capítulos, Akira não quis dar mais continuidade a nenhuma saga que envolvesse Dragon Ball e estava mais interessado em iniciar outros projetos. Porém a TOEI Animation decidiu dar continuação ao anime por conta própria, dando origem a uma série exclusiva para TV chamada Dragon Ball GT, exibida pela 1ª vez em Fevereiro de 1996 e concluída em Fevereiro de 1997, com 64 capítulos ao todo.

Diferenças entre o mangá e o anime

Desde o seu início até o último volume, o mangá sempre foi conhecido como Dragon Ball. Já o anime é dividido em duas partes: Dragon Ball e Dragon Ball Z. O mangá possuí 42 volumes, com 519 capítulos ao todo. Em alguns países, o formato, o número de volumes e até o nome são alterados.

O problema com o anime é que cada página do mangá deveria durar mais ou menos 1 minuto, o que muitas vezes não era possível. Isso fazia com que muitas vezes o anime alcançasse o mangá. Para evitar que o anime ultrapassasse o mangá, a TOEI Animation criou muitas cenas extras, episódios e até mini sagas não contidas no mangá para o anime. Ou seja, fillers (ou momentos “NON CANON”).

Fillers – explicações

O termo filler vem do verbo em inglês to fill (preencher). Usa-se esse termo porque fillers são episódios criados justamente para preencher (ou encher linguiça) o calendário da grade de programação do anime. Principalmente em 2 casos:

1 – Anime alcança o mangá. Então é necessário criar episódios “avulsos”, enquanto saem mais capítulos do manga para mais a frente serem animados.
2 – Encheção de linguiça. Veem que o anime dá audiência e criam mais episódios para lucrar mais.

Ou seja, o termo filler, em seu significado mais preciso só corresponde a episódios completos criados para completar a grade horária. Não se encaixariam os filmes, especiais, OVAs e a série Dragon Ball GT, por exemplo no termo filler. Assim como detalhes que não existem no manga presentes em episódios não fillers, também não são fillers propriamente ditos.

Popularmente, filler virou sinônimo de qualquer cena não existente no mangá. Porém, o termo correto para se referir a TODAS as cenas não presentes no manga, incluindo os filmes, especiais, OVAs, Dragon Ball GT e etc. seria “NON CANON”. É o termo correto para expressar toda e qualquer cena existente no anime, mas que não existe no mangá.

Qual o problema das partes NON CANON do anime de Dragon Ball? por que não considerar na cronologia? O principal motivo são as incontáveis contradições e erros frequentes nos momentos “NON CANON”.

Algumas cenas extras (fillers e NON CANON) criadas pela TOEI Animation exclusivamente para o anime

– Quase todo o treinamento de Goku antes do 2º e do 3º torneio que participou.

– Toda a história da “fornalha mágica” no final de Dragon Ball, antes de Dragon Ball Z.

– Alguns acontecimentos no caminho da Serpente.

– Todos os acontecimentos que envolva Gregory (ele não existe no mangá).

– As aventuras de Gohan, Kurilin e Bulma durante a viagem até Namek.

– Todas as aparições esdrúxulas de Bulma em Namek.

– As Forças Especiais Ginyu atacando o planeta do Kaio Sama do Norte.

– Gohan voltando ao campo de batalha para lutar contra Freeza, após perceber que o Ki de Goku havia desaparecido.

– A mini saga de Garlic Jr..

– Todos os acontecimentos que envolva Maron (ela não existe no mangá).

– Cold lembrando de quando encontrou os restos de Freeza e o trabalho que seus soldados tiveram para reconstruí-lo.

– Freeza tentando destruir a Terra, na sua luta contra Mirai Trunks.

– Vegeta treinando no espaço, antes da chegada dos Andróides A19 e A20.

– Quase tudo que ocorre entre o prazo de 10 dias antes do Cell Game, como a reaparição de TaoPaiPai.

– Os discípulos de Mr. Satan enfrentando Cell no torneio criado pelo monstro.

– Cell utilizando o Makankosappo e Shi Shin no Ken no torneio.

– Os Cell Jrs. usando o Kamehameha, Kienzan, Kikoho, etc..

– Piccolo, Kurilin, Tenshinhan e Yamcha atrapalhando Cell no final do torneio.

– A mini saga do Torneio do Outro Mundo.

– A ida ao Céu pelo “aeroporto divino”, o planeta de Dai Kaio Sama.

– Goku e Majin Vegeta lutando entre si como Super Saiyajin antes de se transformarem em Super Saiyajin 2.

– Vegetto lutando contra Buu antes de transformar-se em Super Saiyajin 2.

Todas estas cenas extras acima citadas não afetam a história original, porém existem outras cenas extras criadas pela TOEI que gerou erros gravíssimos à série…

Erros que surgiram devido as cenas extras criadas pela TOEI

– O Dr. Frappé, que aparece em um capítulo do anime Dragon Ball, sendo o suposto criador do A8. Porém, muitos anos mais tarde Akira criou o Dr. Gero, o cientista que criou todos os Andróides das forças Red Ribbon. Dr. Frappé não existe no mangá.

– Goku, que havia vencido Piccolo Daimaoh, foi facilmente derrotado por Mutaito ao voltar no tempo. Sendo q Mutaito era mais fraco do que Piccolo Daimaoh.
– No mesmo episódio em que Goku conhece Mutaito, ele se espanta quando Mutaito cita a existência do Ki. Porém, Goku já dominava o KameHameHa.

– Goku usando a máquina construída por um dos ogros no inferno para saltar bem alto e voltar ao caminho da serpente. Porém, Goku podia muito bem voar. Pior é ele dizer: “estou voando”, como se fosse novidade.

– Goku tendo um pesadelo com os Saiyajins Nappa e Vegeta atacando ChiChi e Gohan, enquanto estava no palácio da princesa Serpente. Porém, Goku nunca havia visto os Saiyajins.

– Kami Sama (Piccolo) contando sua infância para Popo, dizendo que foi abandonado pelos seus pais na Terra, e que quando era pequeno a comida era escassa na região que estava. Nisso aparece um flashback mostrando um pequeno Piccolo comendo um peixe. Porém, os Nameks não precisam comer, apenas bebem água.

– Vegeta lembrando em Namek de como Gurdo sempre foi um inútil. Nisso aparece um flashback mostrando Gurdo sendo castigado por Freeza, e Vegeta na época que ainda acatava as ordens do tirano. Porém, Vegeta apareceu no flashback sem a cauda, sendo que a sua cauda foi cortada na Terra por Yajirobe.

– As Forças Especiais Ginyu, já mortos mas com seus corpos, sendo derrotados por Tenshinhan, Chaoz e Kurilin durante o treinamento com Kaio Sama (questionável).

– A mini saga Garlic Jr., mostrando acontecimentos ocorridos no filme 1 de Dragon Ball Z (“Return my Gohan”). Porém, nem esta saga nem este movie tem uma cronologia e consistência decente para se encaixar na série.

– O Mestre Karin apostando o Nyoibo (bastão mágico) num jogo de cartas com Maron. Porém, só existe um bastão mágico, que pertencia à Goku, sendo que a última vez que foi usado, foi para que Goku pudesse chegar ao Templo de Kami Sama pela 1ª vez, “conectando” o bastão para sempre entre o teto da Torre de Karin e a parte inferior do Templo de Kami Sama.

– Piccolo Jr. acatando as ordens de ChiChi após ela ameaçar seu marido e ele de não lhes dar comida, caso não aprendessem a dirigir. Porém, os Nameks não precisam comer, apenas bebem água.

– Gohan tendo um pesadelo com Cell, enquanto treinava na sala do tempo. Porém, Gohan nunca havia visto Cell, tanto é que quando seu pai disse para que ele imaginasse Cell matando algum ente querido dele, Gohan alega que não dava pois nunca havia visto o monstro.

– Cold e Freeza se espantam quando Goku derrota as Forças Especiais Ginyu no Inferno. Porém, Goku havia derrotado Freeza, infinitamente superior a tropa.
– As Forças Especiais Ginyu, ainda mortos e com seus corpos, causando problemas no Inferno, sendo derrotados e enjaulados.

– Cell e Freeza, já mortos mas com seus corpos, causando problemas no Inferno, sendo derrotados e enjaulados.

– Goku temendo sua morte após ver o poderoso golpe disparado por Paikuhan, na final do torneio do Outro Mundo. Porém, Goku já estava morto.

– Qualquer cena onde vilões aparecem com seus corpos, quando tecnicamente é Emma Daio que concede tal direito (além de precisar de um ser divino que o reconstrói, quando o corpo foi completamente destruído – caso de Cell, Freeza, Babidi, dentre outros).

– Yamcha e Kurilin, após morrerem, enfrentando poderosos guerreiros no Outro Mundo, como Hércules e Paikuhan.

– Qualquer cena em que um vilão dá trabalho no Inferno, quando foi Emma Daioh e o Inferno que cuidaram da alma de Buu, fazendo-o reencarnar com um coração bom. Sendo Buu indiscutivelmente o mais poderoso vilão que apareceu na série canônica (desconsiderando Dragon ball GT).

Erros considerando o NON CANON Dragon Ball GT

– Dr. Myuu e Gero, com seus corpos robóticos, construindo um outro Andróide 17 super poderoso com o material do Inferno!!! E de quebra abrindo um portal para a fuga de vários vilões da série. Todos com os seus corpos, enquanto várias vezes no anime almas eram representadas na forma clássica japonesa de nuvenzinhas falantes!

– Freeza aparece com seu corpo no Inferno correspondente a sua última forma e não com os componentes robóticos, enquanto Dr. Gero e Myuu aparecem na forma robótica saindo do Inferno;

– Dr. Gero morre, depois de morto! Assim como todos os vilões que fugiram do inferno. Porém, Cell e Freeza quando derrotados por Goku de uma maneira fatal, retornam avisando que, como estão mortos, são imortais!!!

– Goku não consegue escapar do Inferno, quando qualquer um poderia tirá-lo de lá (Uranai Baba, Emma Daio, KibitoShin, até o próprio Goku)!

Além desses acréscimos de personagens, cenas, etc., existem também algumas diferenças em determinados acontecimentos e na anatomia dos personagens.

Alterações na trama/ personagens entre o mangá e o anime

– No anime, Vegeta chegou a ver Goku transformado em Super Saiyajin, em Namek. Além de não ficar surpreso com a transformação de Goku, ele até fica feliz com isso. No mangá, Vegeta não chegou a ver Goku transformado em Super Saiyajin, em Namek e só soube que Goku havia se transformado porque Gohan havia dito. Além disso, Vegeta ficou muito surpreso após saber que Goku havia se transformado em Super Saiyajin.

– No anime, Mirai Trunks transformou-se pela 1ª vez em Super Saiyajin após ver Mirai Gohan morto, pelos andróides A17 e A18. No mangá, Mirai Trunks já era Super Saiyajin muitos antes de Mirai Gohan morrer combatendo os andróides A17 e A18.

– No anime, Cargo, um Namek que vivia na mesma aldeia que Dende, foi morto por Dodoria. No mangá, o Namek foi morto por Freeza.

– No anime, todos os Nameks possuem 5 dedos nas mãos. No mangá, os Nameks possuem somente 4.

– No anime, Cell em sua 1ª forma possuí 5 dedos nas mãos. No mangá, Cell em sua 1ª forma possuí apenas 3. O mesmo ocorre com Dodoria.

Finalizando

Qualquer um, mesmo os que curtem fillers e seus momentos “NON CANON” é capaz de ver o estrago causado no anime. Incontáveis erros e contradições, totalmente injustificáveis. Mesmo que se considerássemos somente o anime, tentando atribuir lógica aos momentos NON CANON, encontraríamos contradições que contradizem não somente com o mangá, mas como o próprio anime.

Podemos concluir logo de cara que é absolutamente inviável tentar inventar desculpa esfarrapada para cada erro do anime, tentando encaixar “NON CANON” na lógica da historia. Assim como fica bem claro que não são poucos os erros. Mas os momentos “NON CANON” e fillers não deixam de ser algo oficial. São obras oficiais. Devemos ter em mente de que tudo o que foi feito para o anime é oficial. Mas por causa das contradições e erros citados, é simplesmente impossível tentar explicar algo baseado nesses momentos.

Muito mais fácil, prático e lógico que, em discussões sobre lógica e cronologia, consideremos o mangá ou os eventos existentes no anime relacionados exatamente aos mesmos. Pois, ao contrario do anime, o mangá possui pouquíssimos erros. Logo, o mangá permite uma análise mais concisa e clara. Assim como permite conclusões mais coerentes.

Devemos desconsiderar a simples existência dos fillers e momentos “NON CANON”? Não. Eles existem. São oficiais e estão inseridos na ordem da lógica do anime. Mas geram contradições, erros, incoerências, se discutirmos comparando o mangá e até mesmo entre o próprio anime. Em suma, o anime de Dragon Ball, graças aos fillers e “NON CANON”, apresentam uma lógica contraditória. É um universo falho, pois peca ao apresentar erros de continuidade. Discutir algo que possui falhas e incoerências é problemático. Não impossível, tampouco proibido. Mas é falho, podendo ser algo desnecessário de se fazer.

Mesmo a TOEI acrescentando fillers, momentos “NON CANON”, que modificaram e estragaram o anime, ela ao menos conseguiu manter a série bastante fiel ao mangá, comparado a muitos outros animes baseados em mangá. Lembrando que a série de Dragon Ball GT não existe no mangá de Dragon Ball e OFICIALMENTE não existe mangá de Dragon Ball GT, apenas quadrinizações posteriores, baseadas no anime.

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