Culdcept BEGINS – Análise

Análise – Culdcept BEGINS

Desenvolvido e publicado pela Neos Corporation, Culdcept BEGINS marca o retorno de uma série de estratégia iniciada em 1997, ainda no Sega Saturn, e o título chegou ao Nintendo Switch e ao Nintendo Switch 2, além de possuir uma versão para PC.

A série Culdcept nunca teve grande popularidade fora do Japão, principalmente porque poucos de seus jogos foram localizados e vários deles chegaram ao mercado ocidental em plataformas que já estavam perdendo espaço, por isso Culdcept BEGINS tenta mudar essa situação ao preservar a estrutura tradicional da franquia, mas apresentar suas regras de maneira mais clara. A proposta pode ser resumida como uma mistura entre Monopoly e jogos de cartas como Magic: The Gathering, já que os jogadores percorrem um tabuleiro usando dados, ocupam territórios, cobram taxas e tentam acumular uma quantidade determinada de magia, com a diferença de que cada propriedade precisa ser defendida por uma criatura retirada de um baralho montado antes da partida.

Cada partida coloca até quatro Cepters em um mapa formado por diferentes caminhos e territórios, e o objetivo é alcançar a quantidade de magia exigida pela fase para, em seguida, retornar ao castelo, que funciona como ponto inicial. A magia representa ao mesmo tempo o dinheiro disponível e o valor total das propriedades controladas pelo jogador, enquanto, durante o turno, é possível usar uma carta de magia antes de lançar os dados, sendo que essas cartas podem aumentar ou diminuir o resultado da rolagem, trocar cartas da mão, alterar criaturas já colocadas ou prejudicar diretamente um adversário. Depois disso, o personagem avança pelo tabuleiro e pode ocupar um território vazio, desde que tenha uma criatura disponível.

Os monstros são chamados de Culds e ficam posicionados sobre o território, defendendo aquela casa, portanto, quando outro jogador para no local, precisa escolher entre pagar a taxa ou iniciar uma batalha. Caso decida atacar, ele utiliza uma criatura de sua mão e tenta derrotar o monstro defensor, e, se conseguir, toma o território e passa a receber todos os benefícios daquele espaço. Com isso, uma propriedade aparentemente segura pode ser perdida em um único combate, enquanto um jogador que estava atrás pode assumir a liderança depois de conquistar um território muito valorizado, fazendo com que as partidas raramente fiquem completamente decididas cedo, pois sempre existe a possibilidade de uma mudança brusca.

Cada criatura em Culdcept BEGINS possui pontos de ataque, vida, afinidade elemental e habilidades especiais, de modo que algumas atacam primeiro, outras impedem o uso de equipamentos, recuperam vida ou recebem bônus quando colocadas em determinados territórios. O defensor normalmente possui vantagem, especialmente quando sua criatura está em uma casa do mesmo elemento, já que os territórios podem ser associados a fogo, água, terra e ar, e essa correspondência aumenta a resistência do monstro.

Além das criaturas, o baralho inclui armas, armaduras e itens, sendo que uma espada pode aumentar o ataque do invasor, enquanto um escudo ajuda o defensor a sobreviver, e existem ainda equipamentos com efeitos específicos, capazes de anular habilidades ou devolver parte do dano. As lutas não possuem animações longas nem sistemas complexos de movimentação, pois os valores são comparados e o resultado é apresentado rapidamente, embora uma batalha ainda possa decidir toda a partida, principalmente quando envolve um território que recebeu vários investimentos.

Depois de ocupar uma casa, o jogador pode gastar magia para aumentar seu nível, e esse investimento eleva o valor da propriedade e a taxa cobrada de qualquer adversário que parar nela, fazendo com que, em níveis mais altos, uma única cobrança possa retirar uma enorme quantidade de recursos de outro participante. Investir também representa um perigo, pois, se o território for conquistado, todas as melhorias permanecem no local e passam para o novo dono, o que obriga o jogador a escolher com cuidado quais casas serão desenvolvidas e quais criaturas possuem condições reais de protegê-las.

Os tabuleiros também apresentam estruturas próprias, como caminhos divididos, pontes, teletransportes, lojas e pontos que concedem efeitos temporários, enquanto alguns mapas permitem escolher rotas alternativas, o que ajuda a evitar áreas dominadas por adversários, e outros obrigam o jogador a passar por corredores estreitos, criando regiões muito valiosas e perigosas. Dessa forma, um baralho eficiente em um tabuleiro pequeno pode funcionar mal em um mapa com várias rotas, e o jogador precisa considerar o formato da fase, os elementos disponíveis e as estratégias dos adversários antes de definir como vai agir.

Fora das partidas, Culdcept BEGINS permite montar baralhos com até 40 cartas, e a coleção inclui centenas de criaturas, magias e equipamentos, criando espaço para diferentes estilos de jogo. É possível construir um baralho voltado para criaturas resistentes e controle de territórios, utilizar monstros baratos para ocupar o máximo de casas ou apostar em cartas capazes de manipular os dados, além de existir a possibilidade de criar uma estratégia agressiva, baseada em criaturas fortes e equipamentos destinados a invadir propriedades inimigas.

O jogo distribui novas cartas durante a campanha e também permite comprar pacotes com a moeda obtida nas partidas, enquanto cartas repetidas podem ser vendidas e existe ainda uma loja de cartas individuais, embora os pacotes normalmente ofereçam uma relação melhor entre custo e quantidade. A montagem é fácil de entender, mesmo para quem não possui experiência com jogos de cartas, pois a interface informa a quantidade de cada tipo de carta e apresenta descrições claras das habilidades, além de também existirem baralhos prontos.

A história de Culdcept BEGINS acompanha Kamru, estudante da Royal Cept Academy e filho de Rutra, um Cepter famoso que desapareceu, sendo que Kamru começa como um aluno visto com desconfiança por alguns colegas, mas demonstra talento durante as provas da academia. Ao lado de Ishara e de seu rival Tarhunt, o protagonista passa a investigar acontecimentos ligados ao desaparecimento de seu pai e a uma ameaça que coloca em risco o continente de Bavrashka.

A campanha funciona principalmente como uma introdução gradual às regras, embora a história demore a desenvolver seus conflitos, os personagens possuam pouca profundidade e muitos diálogos sirvam apenas para justificar a próxima partida. As missões secundárias apresentam algumas situações adicionais, mas também servem principalmente para desbloquear cartas, mapas e recompensas, ainda que a campanha cumpra bem a função de preparar o jogador, já que as regras são apresentadas em etapas e dificilmente causam confusão. Quem já conhece a série pode considerar o começo lento, mas novos jogadores recebem tempo suficiente para entender os sistemas antes das partidas mais exigentes.

Os dados possuem grande influência em Culdcept BEGINS, pois uma rolagem ruim pode levar o jogador diretamente para uma propriedade cara ou impedir que ele alcance o castelo no momento necessário, além de também ser possível passar vários turnos sem comprar a criatura ou o equipamento ideal. Essa aleatoriedade pode causar frustração, principalmente quando várias situações ruins acontecem seguidas, mas o jogo oferece recursos para reduzir parte desse impacto, como magias que controlam o resultado dos dados, mudam a direção do movimento e interferem na mão dos adversários, enquanto um baralho equilibrado também diminui a chance de ficar sem opções úteis. A sorte continua presente, como deve acontecer em um jogo de tabuleiro, mas a vitória não depende apenas dela.

Visualmente, Culdcept BEGINS utiliza um estilo colorido e próximo de desenhos de fantasia, com personagens que possuem proporções pequenas e expressões exageradas, enquanto as criaturas aparecem como ilustrações de cartas e modelos simplificados sobre o tabuleiro. A direção artística mantém boa unidade entre menus, mapas e cartas, porém alguns elementos parecem simples, já que a campanha usa cenários estáticos e personagens com pouca animação, enquanto as ilustrações são variadas, mas nem todas possuem o mesmo nível de detalhes. Os textos são claros e as ações mais importantes podem ser realizadas sem navegar por muitos menus.

No Nintendo Switch 2, o desempenho é estável, com partidas que funcionam sem quedas perceptíveis e carregamentos rápidos, além de existir uma opção para aumentar a velocidade das animações. A trilha sonora acompanha o clima de fantasia e muda conforme as partidas avançam, sendo que as músicas funcionam bem durante os tabuleiros, embora poucas sejam realmente memoráveis, enquanto algumas vozes utilizadas para anunciar cartas e ações também soam frias e repetitivas depois de várias horas.

O multiplayer representa a parte mais duradoura da experiência, com modos online, partidas rápidas e salas personalizadas, além da possibilidade de utilizar o GameShare do Nintendo Switch 2, permitindo que outros jogadores participem sem possuir uma cópia completa. O recurso funciona bem e mantém as cartas de cada participante em sua própria tela. A ausência de um multiplayer local tradicional, porém, é uma limitação, pois não existe a possibilidade de reunir quatro pessoas diante de uma única televisão e passar o controle, fazendo com que cada participante precise ter seu próprio console ou utilizar o GameShare.

As partidas também podem ficar longas, principalmente com quatro pessoas, já que uma sessão costuma passar facilmente de meia hora e pode durar ainda mais dependendo do mapa e das configurações.

Culdcept BEGINS apresenta uma combinação diferente de jogo de tabuleiro e, mesmo com essas limitações, oferece uma experiência estratégica consistente e com bastante conteúdo, na qual a variedade de cartas, mapas e combinações sustenta muitas horas de jogo, especialmente no multiplayer. Para quem gosta de jogos de tabuleiro ou batalhas de cartas, esta é uma mistura incomum que funciona melhor do que sua proposta inicialmente sugere.

Nota: 9,0

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