Denshattack! – Análise

Denshattack! transforma trens em um jogo de manobras rápido e criativo – Análise

Desenvolvido pela Undercoders e publicado pela Fireshine Games, Denshattack! foi lançado em julho de 2026 para PlayStation 5, Xbox Series X|S, Nintendo Switch 2 e PC, apresentando uma proposta que inicialmente parece simples de explicar: pegar a estrutura de jogos como Tony Hawk’s Pro Skater, substituir o skate por um vagão de trem e colocar tudo sobre trilhos em um Japão futurista. É uma grande mistureba de jogo de corrida arcade, plataforma, com manobras, desafios de pontuação e muitas sequências roteirizadas.

A história acompanha Emi Araki, uma jovem que utiliza seu trem para realizar entregas de comida em um Japão afetado por uma grande crise ambiental, onde boa parte da população passou a viver dentro de cidades protegidas por domos controlados pela corporação Miraido. Depois de conhecer Fernando durante uma entrega, Emi descobre o Denshattack, uma espécie de esporte radical no qual pilotos utilizam trens para disputar corridas, realizar manobras e enfrentar outros grupos espalhados pelo país.

A narrativa mantém um tom leve durante boa parte da campanha, mesmo com temas ligados à destruição ambiental, corporativismo ou até mesmo desigualdade entre quem vive dentro ou fora dos domos. Emi atravessa diferentes regiões do Japão, enfrenta líderes locais e, como um bom protagonista shounen, normalmente transforma antigos rivais em aliados, seguindo uma estrutura bastante próxima de um anime de aventura, enquanto Fernando registra os acontecimentos em um fanzine que também serve para apresentar informações sobre personagens e regiões.

O principal destaque, porém, está na jogabilidade. O trem permanece quase sempre em movimento e o jogador precisa mudar de trilho, saltar obstáculos, realizar drifts nas curvas, equilibrar-se durante grinds, correr por paredes e executar diferentes manobras utilizando principalmente o analógico direito. Os comandos básicos são fáceis de entender, mas o número de movimentos aumenta rapidamente e técnicas mais complexas exigem sequências específicas de direções, quase como comandos encontrados em jogos de luta.

Isso cria uma progressão interessante porque completar uma fase é relativamente simples, enquanto dominá-la exige bastante prática. É possível chegar ao final cometendo erros e aproveitando os checkpoints rápidos, mas obter melhores medalhas depende do tempo, da pontuação e do cumprimento de objetivos opcionais. O sistema também reduz a eficiência de repetir constantemente a mesma manobra, incentivando o jogador a aprender diferentes movimentos e construir combinações maiores.

Cada fase possui desafios adicionais, incluindo coletáveis, manobras específicas, objetivos de tempo e condições como terminar sem descarrilar. As primeiras tentativas servem principalmente para conhecer o percurso, enquanto as seguintes permitem procurar novas rotas, aumentar a pontuação e tentar cumprir aquilo que ficou para trás.

As pistas também evitam depender somente de uma linha reta. Existem desvios, trilhos paralelos, paredes utilizáveis, rampas, caminhos alternativos e os chamados trilhos coloridos que aparecem quando determinadas condições são cumpridas, permitindo acessar trajetos diferentes e ampliar a pontuação. Denshattack! também varia seus objetivos. Existem corridas contra outros pilotos, fases voltadas para pontuação, entregas, áreas com diferentes tarefas e confrontos contra chefes, que estão entre os momentos mais criativos do jogo. Essas batalhas utilizam as mesmas mecânicas aprendidas durante as pistas, mas as reorganizam em sequências específicas envolvendo robôs gigantes e outros acontecimentos que tratam a física do trem apenas como uma sugestão.

A variedade ajuda bastante porque Denshattack! poderia facilmente se tornar repetitivo caso dependesse somente de realizar manobras até o final de uma pista. Em vez disso, cada região acrescenta novas ideias e exige que movimentos anteriormente aprendidos sejam combinados, aumentando gradualmente a quantidade de ações necessárias durante uma única sequência. Mas esse crescimento também representa uma das principais limitações, pois em fases avançadas existem muitos comandos, avisos e elementos visuais aparecendo simultaneamente, enquanto o jogo exige decisões rápidas. Algumas transições para wall rides ou trilhos laterais também podem parecer menos precisas do que deveriam, fazendo com que determinados erros pareçam resultado da resposta do controle ou da leitura da pista em vez de uma decisão claramente errada do jogador.

O próprio estilo visual contribui para isso. Denshattack! utiliza cel-shading, cores muito fortes, efeitos gráficos, partículas e elementos inspirados em mangás e cultura urbana japonesa, criando uma identidade muito clara, porém toda essa informação pode atrapalhar a leitura quando o trem está em alta velocidade. Existem momentos em que cenário, trilhos e efeitos utilizam tonalidades próximas, reduzindo o tempo disponível para identificar corretamente o próximo caminho. Ainda assim, o sistema de checkpoints reduz bastante a frustração, pois uma colisão geralmente faz o jogador retornar rapidamente a uma posição próxima e tentar novamente.

Fora das pistas, é possível desbloquear outros trens com características próprias, normalmente combinando uma vantagem com alguma penalidade. Um modelo pode facilitar determinado tipo de movimento, mas diminuir a pontuação recebida em outra situação, por exemplo, criando pequenas diferenças na maneira de buscar melhores resultados. Também existem pinturas, adesivos e outros elementos de personalização adquiridos com recursos encontrados durante as fases.

A campanha pode ser concluída sem dominar todos esses sistemas, mas a maior parte da duração está justamente em voltar aos percursos anteriores para melhorar medalhas, encontrar coletáveis e cumprir desafios. Denshattack! funciona melhor para quem gosta de repetir fases curtas até entender completamente o percurso. A trilha sonora acompanha diretamente esse ritmo, combinando os efeitos sonoros e a velocidade de forma que cria uma sensação de fluxo quando tudo começa a funcionar corretamente, principalmente durante sequências nas quais diferentes movimentos podem ser executados sem interromper o combo.

Denshattack! é definitivamente um jogo de corrida e manobras com uma proposta estranha que funciona porque seus sistemas possuem profundidade suficiente para sustentá-la. A variedade de pistas, objetivos e chefes impede que a campanha fique presa a uma única estrutura, enquanto o sistema de pontuação oferece motivos concretos para voltar às fases e melhorar o desempenho. Existem problemas de leitura visual e algumas transições de movimento poderiam responder melhor, além de o excesso de mecânicas começar a pesar nas fases mais avançadas, mas esses defeitos são mínimos diante de uma proposta tão diferenciada. Denshattack! consegue transformar uma ideia aparentemente absurda em um arcade com sistemas suficientes para recompensar quem decide realmente aprendê-lo e é, sem dúvidas, muito divertido.

Nota: 9,5

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