Análise – MARVEL MaXimum Collection
MARVEL MaXimum Collection é uma coletânea lançada pela Limited Run Games que reúne jogos clássicos da Marvel lançados entre o fim dos anos 80 e a primeira metade dos anos 90, cobrindo produções de arcade, NES, Mega Drive, Super Nintendo, Game Boy e Game Gear. O pacote funciona por meio do Carbon Engine e traz 13 ROMs no total, embora a seleção seja formada por seis nomes principais: X-Men: The Arcade Game, Captain America and The Avengers, Spider-Man/Venom: Maximum Carnage, Venom/Spider-Man: Separation Anxiety, Spider-Man/X-Men: Arcade’s Revenge e Silver Surfer.
A proposta é interessante porque recupera jogos que, em muitos casos, estavam presos a fliperamas antigos, cartuchos caros ou plataformas que já não fazem parte da rotina da maioria dos jogadores, especialmente por trazer de volta X-Men: The Arcade Game e Captain America and The Avengers, dois beat ’em ups de arcade que representam muito bem uma época em que super-heróis e pancadaria lateral combinavam de forma natural.
Ao mesmo tempo, MARVEL MaXimum Collection é uma coletânea bastante irregular. Há jogos que continuam divertidos, outros que envelheceram mal, alguns que só interessam pela curiosidade histórica e outros que hoje praticamente dependem de recursos como rebobinar, salvar a qualquer momento e ativar trapaças para se tornarem minimamente palatáveis. O pacote acerta ao reunir esse material em um só lugar, mas também deixa evidente como a qualidade dos jogos da Marvel naquele período variava bastante.
A questão principal, portanto, não é apenas se esses jogos mereciam voltar. Muitos mereciam. A questão é se a coletânea oferece contexto, cuidado e recursos suficientes para transformar esse retorno em algo mais completo. MARVEL MaXimum Collection funciona bem como reencontro nostálgico e como documento de uma fase específica da história dos videogames da Marvel, mas fica abaixo do que poderia ser como produto de curadoria.
O destaque imediato da coletânea é X-Men: The Arcade Game, desenvolvido pela Konami, que continua sendo um dos títulos mais reconhecidos do pacote, tanto pela escala quanto pelo impacto que teve nos fliperamas da época. Trata-se de um beat ’em up direto, com progressão lateral, combate simples e foco total na ação cooperativa, permitindo até seis jogadores simultâneos. Mesmo com limitações claras no design de fases e na repetição de inimigos e chefes, o jogo ainda funciona e a presença de multiplayer online ajuda a manter esse aspecto vivo, embora seja restrita apenas a esse título, o que acaba chamando atenção negativamente.
Captain America and The Avengers aparece logo em seguida como outro ponto alto, chegando a ser o jogo mais interessante da coletânea em termos de variedade. Apesar de utilizar sprites menores, ele compensa com maior diversidade de ações, fases que misturam elementos de shoot ’em up e interatividade com o cenário, além de um conjunto de movimentos mais amplo do que o esperado à primeira vista. Ainda assim, também carrega limitações típicas da época, como dificuldade elevada e estrutura repetitiva, mas consegue se sustentar melhor que outros títulos do pacote. E ainda conta com a charmosa (e dificílima) versão do NES.
A partir daí, a qualidade começa a oscilar. Spider-Man/Venom: Maximum Carnage e Venom/Spider-Man: Separation Anxiety representam bem essa queda. Ambos seguem a estrutura de beat ’em up, mas possui uma repetição absurda de inimigos, variedade limitada de movimentos, colisões inconsistentes e ritmo arrastado. Maximum Carnage ainda mantém algum apelo por conta da apresentação em estilo quadrinho, da trilha sonora marcante e do valor histórico de permitir controlar Venom em um período em que isso era raro, mas como jogo em si é considerado simples e excessivamente punitivo. Separation Anxiety tenta evoluir com um cooperativo e ritmo mais acelerado, mas perde em impacto visual e acaba sendo visto como uma sequência menos marcante.
Spider-Man/X-Men: Arcade’s Revenge muda a proposta ao adotar uma estrutura mais próxima de plataforma com elementos de ação, permitindo controlar diferentes personagens com fases específicas, mas a execução compromete o resultado, com controles imprecisos, design de fases confuso, dificuldade elevada e problemas de resposta que tornam a experiência inconsistente.
Silver Surfer fecha o conjunto como um dos casos mais extremos. O jogo funciona como um shoot ’em up que alterna entre visão lateral e vertical, mas se tornou bastante conhecido pela dificuldade absurdamente elevada, com mortes instantâneas ao tocar em tudo e hitboxes horrorosos.
Dentro da coletânea, recursos como rebobinar e salvar a qualquer momento tornam a experiência mais acessível e ajudam a explorar melhor suas qualidades, embora isso já seja o mínimo esperado em compilações desse tipo. Também há opções de apresentação visual, incluindo filtros de tela, ajuste de proporção e bordas decorativas. É possível jogar em formato original, adaptar para 4:3 com preenchimento lateral ou expandir para widescreen, embora essa última opção distorça a imagem em vários casos. Os filtros tentam simular televisores antigos, mas sua implementação é limitada.
A parte de extras inclui galeria com artes promocionais, capas, manuais digitalizados e, em alguns casos, documentos de desenvolvimento. Há também um reprodutor de músicas com trilhas completas dos jogos. Esse conteúdo tem valor documental, especialmente para quem se interessa por história dos videogames e da Marvel nos anos 90.
Ainda assim, fica evidente a existência de dois níveis distintos de qualidade. De um lado, os jogos de arcade, especialmente X-Men e Captain America, que ainda conseguem oferecer experiências divertidas, mesmo com limitações. Do outro, boa parte dos títulos de console e portáteis expõe problemas de design, controle e repetição, o que dificulta sua apreciação nos dias de hoje. Como coletânea histórica, cumpre seu papel, mas a experiência depende diretamente da tolerância do jogador às limitações dos títulos originais.
Nota: 8,5







