Análise – Akatori
Desenvolvido pela Contrast Games e publicado pela Games Harbor, Akatori é um jogo de plataforma com elementos de Metroidvania e roguelite lançado em agosto de 2026 para Xbox Series X|S, Xbox One, PlayStation 5, PlayStation 4 e PC. A aventura acompanha Mako, uma jovem monja que precisa atravessar diferentes regiões para impedir que tempestades de âmbar continuem destruindo e corrompendo a natureza, enquanto encontra pelo caminho Akatori, uma divindade em forma de pássaro que passa a orientar sua jornada.
A história começa de maneira relativamente simples, mas ganha mais peso conforme Mako atravessa regiões devastadas e percebe a dimensão do problema que está enfrentando. A protagonista ainda é bastante ingênua diante dos acontecimentos, enquanto as entidades que encontra possuem uma visão muito mais antiga e distante daquele mundo. Mako atravessa diferentes lugares, passando por mosteiro, minas, florestas, castelos e áreas industriais, todos apresentados com uma pixel art muito bem trabalhada e acompanhados por animações fluidas. Akatori possui uma apresentação claramente inspirada em jogos independentes de plataforma atuais.
A movimentação utiliza corrida, saltos e habilidades adquiridas durante a campanha, além de permitir observar melhor o cenário antes de determinados trechos de plataforma. O problema é que o controle nem sempre possui a precisão necessária para acompanhar o desenho de algumas fases, especialmente quando aparecem saltos mais exigentes, obstáculos que matam imediatamente e sequências que dependem de agarrar estruturas como bambus. Os pulos podem parecer leves demais e algumas ações não respondem com a firmeza esperada, o que transforma certos desafios em uma disputa maior contra a movimentação do que contra o próprio cenário.
Akatori também utiliza elementos típicos de Metroidvania, permitindo desbloquear novos movimentos e acessar regiões que antes estavam bloqueadas, mas essa estrutura é menos importante do que poderia. O retorno a áreas antigas existe principalmente para encontrar segredos e colecionáveis, sem atingir aquela sensação de reconstrução do mapa que costuma tornar o gênero interessante, enquanto a árvore de habilidades funciona mais como uma organização das técnicas adquiridas.
O combate começa simples, com ataques diretos, mas melhora quando Mako e Akatori conquistam novas habilidades. É possível refletir projéteis com ataques realizados no momento certo, lançar e recuperar o bastão para atordoar inimigos, aproximar adversários, realizar golpes para cima e utilizar ataques contra o chão capazes de gerar ondas de impacto. Há também o Chaos, recurso recebido ao derrotar inimigos e utilizado para abrir Chaos Arenas, que oferecem melhorias como novas habilidades ou aumento da barra de vida. Os checkpoints também funcionam como pontos de recuperação, porém restaurar a saúde faz os inimigos retornarem e elimina o Chaos acumulado.
Existem ainda quatro níveis de dificuldade, sendo que a escolha precisa ser realizada no começo da campanha e não pode ser modificada posteriormente. As opções permitem transformar Akatori em uma aventura relativamente tranquila ou em uma experiência muito mais punitiva, chegando ao modo One Chance, no qual os inimigos causam mais dano e uma morte encerra imediatamente a tentativa.
A exploração também inclui vinte estátuas de gatos escondidas pelos mapas, normalmente acompanhadas por pistas sonoras quando Mako se aproxima delas. Alguns desses itens aparecem atrás de paredes secretas ou em locais de acesso difícil, mas avançar demais na história impede o retorno a uma área anterior, o que é algo pouco amigável para quem pretende completar todos os colecionáveis.
Akatori não é uma aventura muito longa, especialmente nas dificuldades menores. A variedade visual ajuda bastante, assim como a música e a apresentação dos menus, mas o jogo possui sistemas que parecem prometer mais profundidade do que realmente entregam, principalmente no desenvolvimento de habilidades e na utilização de elementos de Metroidvania. No fim, Akatori é um jogo de plataforma bonito, com uma história mais interessante do que sua aparência inicialmente sugere e algumas boas ideias na mistura entre combate, exploração e pequenas mecânicas de roguelite, mas perde força justamente em um ponto essencial para qualquer jogo desse gênero, que é a qualidade da movimentação. A sensação flutuante dos saltos e algumas interações imprecisas aparecem justamente nos momentos que mais exigem precisão e isso não é legal.
Ainda assim, sua duração relativamente curta impede que esses problemas se tornem completamente cansativos, e quem procura uma aventura independente simples, com boa pixel art, alguns segredos e uma narrativa competente pode encontrar bastante coisa para aproveitar.
