Análise – Super Bomberman Collection

Super Bomberman Collection – Análise

Há algo quase infantil (no melhor sentido) em colocar uma bomba, dar alguns passos para trás e esperar a explosão. O cenário se abre, alguém erra o tempo e perde, e tudo vira risada ou xingamento, acompanhado também da ideia de revanche. Super Bomberman sempre foi isso, e Super Bomberman Collection entende bem tudo isso. Ou quase tudo.

O jogo tem uma ideia simples, mas muito bem feita: andar por um labirinto, colocar bombas, abrir caminho destruindo blocos, pegar melhorias e tentar não morrer para a própria explosão ou contato com o inimigo. Quando tem mais gente jogando, tudo vira uma grande disputa, cheia de confusão. Super Bomberman Collection existe para preservar exatamente essa parte clássica da série, reunindo vários jogos antigos em um único pacote.

A coletânea foi desenvolvida pela Red Art Studios e publicada pela Konami e reúne sete jogos: os dois primeiros Bomberman do NES e os cinco Super Bomberman do Super Nintendo. Essa seleção é importante porque traz, pela primeira vez de forma oficial no Ocidente, alguns jogos que antes só existiam no Japão, como Super Bomberman 3, 4 e 5.

A coletânea traz ainda melhorias modernas, como salvar a qualquer momento, voltar no tempo quando algo dá errado, filtros visuais, galeria de imagens, manuais digitalizados e até um reprodutor de músicas. Mas por outro lado, ainda falta algo importante: um modo online, já que, sendo o multiplayer o coração de Bomberman, a ausência de partidas online completas limita bastante o potencial do pacote em 2026.

Se você olha Super Bomberman Collection como um pacote único, percebe logo essa contradição. Ao mesmo tempo em que a coletânea faz um ótimo trabalho de preservação, ela meio que esquece o que um Bomberman realmente precisa ser em 2026: um jogo feito para juntar pessoas e durar muito tempo além da sala de estar. A coletânea traz vários cuidados importantes, como versões regionais, jogos que nunca tinham saído oficialmente em inglês, manuais digitalizados, caixas, trilhas sonoras e galeria, mas falha justamente no ponto mais forte da série, que é transformar essa jogabilidade simples em algo atual e conectado.

O funcionamento básico do jogo continua excelente. Bomberman é simples, a ideia é andar pelo mapa, colocar bombas, abrir caminhos, fugir das explosões, pegar melhorias e derrotar inimigos ou outros jogadores. Colocou a bomba no lugar errado e ficou preso? Morreu, faz parte. A graça de Bomberman está em dominar esse ritmo simples. Porém, exatamente por essa fórmula ser tão simples, jogar vários títulos seguidos pode entediar o jogador.

Quando você joga apenas um Super Bomberman, ele parece excelente, mas ao jogar três ou quatro em sequência, fica claro que a estrutura se repete constantemente, com mundos temáticos, oito fases, um chefe e o ciclo recomeçando. Mudam os inimigos, alguns obstáculos e os power-ups, mas a base permanece a mesma, e a coletânea entrega tudo de uma vez, deixando o jogador escolher como avançar, sem organizar um ritmo ou uma progressão mais pensada. Nesse contexto, os recursos modernos ajudam bastante, já que voltar no tempo e salvar a qualquer momento tornam os jogos antigos mais acessíveis, mas, ao mesmo tempo, quando usados em excesso, esses recursos diminuem o desafio e reduzem a tensão que torna a experiência mais interessante.

O modo Boss Rush funciona como um extra, reunindo apenas as lutas contra chefes e oferecendo desafios diretos e rápidos. Não é algo essencial, já que Bomberman nunca foi famoso pelos chefes, mas serve como treino para quem quer dominar os padrões e melhorar o tempo de reação.

Na apresentação, a coletânea acerta bastante. Os menus são bonitos, rápidos e bem organizados. O museu, com caixas, manuais, músicas e artes, é um dos grandes destaques. Ele transforma o pacote em uma verdadeira celebração da história da série. Mas faltou explicação. Quase não há textos explicativos dizendo por que certos jogos são importantes, o que muda entre as versões ou qual é o contexto histórico. Para quem já é fã, talvez isso não faz tanta falta, mas para quem está conhecendo agora, deixa muita coisa solta. E essa falta de contextualização pesa ainda mais porque a coletânea inclui jogos que ficaram décadas presos ao Japão, como Super Bomberman 3, 4 e 5. Eles são importantes, então seria legal a coletânea trazer a história por trás dele. Depois que Mortal Kombat: Legacy Kollection entregou extras contando a história da franquia e do desenvolvimento de seus jogos, toda coletânea, principalmente comemorativa, deveria ter algo parecido.

Mas, como já dito, o verdadeiro problema da coletânea está no multiplayer. Bomberman sempre foi um jogo feito para jogar com outras pessoas e, logicamente, quanto mais jogadores, maior a diversão (ou a confusão). Só que, em 2026, é estranho lançar uma coletânea dessas sem um modo online bem estruturado. O foco continua sendo apenas o multiplayer local e isso transforma a coletânea em algo mais doméstico, preso ao sofá, quando poderia ser uma experiência online. Claro que isso não destrói o pacote, fora que o preço baixo dessa coletânea ajuda bastante. Continua tendo um custo-benefício muito bom pelo tanto de conteúdo oferecido.

Quando você olha para os sete jogos separadamente, a coletânea deixa de parecer um único pacote e passa a mostrar como a série foi evoluindo aos poucos, mesmo repetindo bastante a própria fórmula. O Bomberman de 1985, no NES é simples: um robô quer virar humano e precisa escapar de um complexo subterrâneo. Aqui introduziu-se a ideia de andar por labirintos, colocar bombas, fugir das explosões, claro, aprender o padrão dos inimigos. São 50 fases, todas parecidas, com um item por estágio e uma saída escondida entre os blocos. Não há chefes marcantes nem grandes efeitos visuais.

Bomberman II, também no NES, mantém essa base, mas organiza melhor as fases em áreas temáticas e adiciona um contexto narrativo mais claro. Agora, White Bomberman é incriminado por Black Bomberman após um assalto e precisa escapar da prisão para provar sua inocência. São seis áreas com oito fases cada, inimigos mais variados e estágios bônus que quebram um pouco o ritmo tradicional. O multiplayer para até três jogadores já aponta para o verdadeiro foco da franquia, mas o modo solo ainda funciona como uma evolução contida do primeiro jogo, com melhorias, mas sem grandes transformações além da implementação do multiplayer.

A grande virada acontece com Super Bomberman, no Super Nintendo. Aqui, a série ganha mais cor, mais personagens, chefes definidos e uma história mais elaborada, envolvendo o vilão Carat Diamond, o cientista Dr. Mook e um torneio de robôs que ameaça Peace Town. O modo principal segue a estrutura tradicional, mas o multiplayer para até quatro jogadores é a alma do jogo, definindo Bomberman como sinônimo de diversão com a galera. Já Super Bomberman 2 refina ainda mais essa base, trazendo uma invasão alienígena comandada pelos Five Dastardly Bombers, áreas mais variadas, chefes mais elaborados e sistemas mais bem ajustados. A ausência de cooperativo no modo história é uma decisão estranha, mas, no conjunto, o jogo mostra uma série já madura e bem definida.

Em Super Bomberman 3, o conteúdo cresce bastante e a narrativa vai se complexificando. O vilão Professor Bagura resgata os antigos inimigos e espalha o caos por diferentes planetas, obrigando White e Black Bomberman a viajarem pela galáxia para restaurar a ordem. Surgem os Louies, criaturas montáveis com diferentes habilidades, além de uma enorme expansão na variedade de itens e um multiplayer para até cinco jogadores. A estrutura, claro, continua familiar.

Super Bomberman 4 amplia ainda mais as ideias da franquia, com a história dando continuidade direta aos eventos do jogo anterior. Após escapar da explosão de sua nave em Super Bomberman 3, o cérebro de Bagura convoca os Four Bomber Kings e o Great Bomber para se vingar de Black Bomberman e White. Durante o confronto, os heróis acabam sendo enviados para diferentes épocas do tempo, o que justifica a estrutura das fases, que passam pela pré-história, Japão feudal, era moderna, futuro e até o hiperespaço. Conta também com modo multiplayer de até cinco jogadores.

Por fim, Super Bomberman 5 assume um caráter quase comemorativo. A aventura se passa em Terrorin World, um universo alternativo dividido em áreas que homenageiam os quatro jogos anteriores, além de uma zona totalmente inédita. O Planeta Bomber era um lugar pacífico, até o dia em que o vilão Terrorin surgiu. Ele invadiu a Prisão Bomber e libertou os Fiendish Bombers, que aceitaram ajudá-lo a conquistar o universo em troca da liberdade. Ao saber do ocorrido, Bomberman e Black Bomberman, junto dos Louies, partem em uma jornada para impedir os planos de Terrorin. Super Bomberman 5 aposta em caminhos alternativos e múltiplos finais, além de vários desafios extras e modos secretos, e a trilha sonora mistura composições novas com versões remixadas das músicas clássicas, fechando com chave de ouro essa fase Super da franquia.

Analisando todos juntos, fica claro que a base permanece da franquia a mesma e isso é ótimo, porque mantém uma identidade forte. Super Bomberman Collection é forte porque preserva justamente um período que muita gente considera o auge da franquia e ainda entrega, oficialmente, jogos que eram praticamente mitológicos fora do Japão. Mas como um produto moderno, embora competente nas ferramentas de conveniência e generosa nos extras visuais, Super Bomberman Collection esquece opções que fariam sentido hoje. É uma coletânea que celebra e arquiva muito bem, mas que moderniza pouco onde mais importava modernizar. Ainda assim, é uma excelente e bem-vinda coletânea para fãs e novos jogadores.

Nota: 9,0

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