Dragon Ball Super: Super Hero Blu-Ray Booklet – Entrevista com a equipe

Dragon Ball Super: Super Hero Blu-Ray Booklet – (7 de Dezembro de 2022)

Entrevista com a equipe

Entrevista com a equipe

Perguntas e Respostas Especiais

Diretor
Tetsuro Kodama

Diretor de CG
Jaehoon Jung

Produtor Executivo da Shueisha
Akio Iyoku

Entrevistador

Produtor da Toei Animation
Norihiro Hayashida

P1: Vamos relembrar o processo de produção das cenas do passado que são inseridas ao longo do filme, incluindo a abertura.

Kodama: Com base na premissa de “adotar uma abordagem visual diferente da história principal e das obras anteriores”, fomos refinando a cena ao máximo, em discussão com o diretor de animação Kubota, responsável pela animação desse trecho.

Iyoku: Embora digamos que é “diferente da história principal”, também não pode ser diferente demais. E também não seria adequado simplesmente reutilizar imagens do passado. Encontrar esse equilíbrio foi difícil. Como essa parte foi preparada pelo Toriyama-sensei para servir de introdução à história principal, tivemos o cuidado de “não exagerar”.

P2: A vista geral dos arredores da Red Pharmaceutical, mostrada a partir da perspectiva do Hachimaru, foi construída em uma escala bem ampla, não é?

Jung: O diretor fez um esboço bem inicial desse design de cenário, e nós criamos a vista geral praticamente com base nisso. Também modelamos áreas um pouco além do que aparece no filme, mas, ao tentar fazer tudo em CG, o custo ficaria muito alto. Então ajustamos a extensão para que ficasse visualmente convincente.

O cenário ao redor da Red Pharmaceutical visto da perspectiva do Hachimaru.

P3: Os heróis que aparecem na sessão de autógrafos onde o Dr. Hedo está na fila parecem estar gerando bastante discussão entre os fãs, não é?

Kodama: A ideia é que, em uma Comic-Con, esteja acontecendo uma exposição de uma série de heróis que o Dr. Hedo gosta. Como os atores desses heróis, em versão live-action, vieram fazer uma sessão de autógrafos, e o Dr. Hedo é um grande fã, ele entra na fila levando um shikishi¹.

A obsessão de Hedo por super-heróis é retratada apenas por meio de fotos.

Iyoku: Existe uma fala que mostra que o Dr. Hedo gosta de heróis, mas não havia espaço para aprofundar isso em uma cena. Então, em momentos como esse – quase como pequenas inserções ilustrativas -, acho que o personagem acaba sendo desenvolvido de forma sutil.

Carmine tirou uma foto às escondidas do Dr. Hedo. Ao que tudo indica, ele também tirou uma foto junto com o herói.

Kodama: Os heróis que aparecem na cena não são exatamente os Gamma, mas dá para perceber que o Dr. Hedo foi fortemente influenciado por esse tipo de herói.

Dá para perceber que houve influência tanto nos Gamma quanto no próprio estilo do Dr. Hedo, além de Cell Max.

P4: Houve bastante tentativa e erro na cena de conversa dentro do carro entre Magenta e o Dr. Hedo, não é?

Iyoku: É uma cena em que Magenta, Dr. Hedo e também Carmine conversam, e que serve para o público conhecer melhor cada um dos personagens – por isso ela é necessária. Mas, como simples cena de diálogo, acaba sendo longa. Então, para não deixar o público entediado, incluímos ações constantes, como comer biscoitos. Essa parte, especialmente, contou com o talento da equipe de produção, conseguindo transmitir aquela sensação de “a animação está incrível”.

Cenas de conversa, que tendem a ficar entediantes, estão cheias de recursos para manter o interesse do público.

P5: Até agora, vocês nunca tinham explicado de forma clara a linhagem que liga o Dr. Gero ao Dr. Hedo, certo?

Iyoku: Houve um pedido para explorar essa linhagem, então decidimos isso após conversar com o Toriyama-sensei. Por exemplo, a Androide 21, que apareceu nos jogos, teve o conceito em que foi criada com base na esposa dele, e o Androide 16 também possui um passado estabelecido. Então, fomos incorporando elementos como esses, adicionando personagens com nomes como “Vomi” e “Gebo”. Porém, se fizéssemos do Gebo o pai do Dr. Hedo, não encaixaria bem, então fizemos vários ajustes.

Incorporando também as informações mais recentes do universo, é retratada a linhagem que leva até o Dr. Hedo.

P6: Também houve muitas perguntas sobre aquele pó que o Magenta coloca no copo — afinal, o que era aquilo?

Jung: Ele coloca canela no café, né?

Kodama: Isso, é canela mesmo. Teve uma época em que programas de TV diziam que “canela faz bem para o crescimento capilar”… então o Magenta se preocupa um pouco com isso. Aí ele acaba colocando canela demais e faz “eca!”.

Iyoku: Tem até um momento em que o Carmine aparece rindo ao ver isso (risos).

À primeira vista parece açúcar, mas na verdade é uma grande quantidade de canela…!!

P7: Na mesa do Magenta, vocês colocaram uma foto da “Coronel Violet”, não é?

Kodama: Sim, eu tinha a ideia de decorar o escritório do presidente com várias fotos.

Iyoku: Não aparece na tela, mas também há fotos de oficiais do antigo Exército Red Ribbon.

Kodama: Para o Magenta, é como uma “admiração pelos heróis do passado”… algo como colocar fotos de atletas que você admira.

As fotos nos porta-retratos sobre a mesa representam os “heróis do passado” que Magenta admira.

P8: A prisão “Prison 8”, onde o Dr. Hedo estava detido, acabou ficando com um design bem criativo, não é?

Jung: Para não ficar apenas como uma prisão comum, incorporamos elementos que lembram um parque de diversões. Embora não apareça totalmente na tela, há até uma máquina de venda de ingressos instalada.

Kodama: No início, o design era diferente, mas passou por várias mudanças ao longo do caminho.

Jung: A porta de entrada também reflete o senso de humor do diretor. A gente acha que uma porta enorme vai se abrir, mas na verdade é uma pequena janelinha na parte de baixo que se abre, e o Hedo sai por ali (Risos).

O letreiro “PRISON 8” na porta é um neon que remete a um parque temático. Algumas letras estão parcialmente apagadas.

P9: Foi uma ideia interessante colocar o símbolo “RR” na entrada da base secreta do novo Exército Red Ribbon, não é?

Iyoku: Originalmente, havia uma ilustração da entrada da base feita pelo Toriyama-sensei. Mas, como esse é o cenário que ocupa grande parte da história principal, pedimos à equipe de produção – incluindo o diretor – que desenvolvesse os detalhes internos e externos.
No meio dessas trocas e ajustes, acabou surgindo aquela sensação de “a gente está tentando esconder, mas acaba deixando escapar…”, que é bem a cara do Exército Red Ribbon. Ou melhor, é como se transbordasse aquela vontade de dizer: “Nós somos o Exército Red Ribbon!” (Risos).

A base secreta do novo Exército Red Ribbon. Era para ser um segredo, mas o símbolo “RR” acaba aparecendo um pouco aqui e ali.

P10: O design da garrafa PET que a Pan estende acabou sendo bem difícil de definir, não é…?

Iyoku: Isso, a garrafa PET!

Kodama: Foi complicado… o design da garrafa. Tivemos versões A, B, C, D… fomos até a proposta F. Surpreendentemente, há muitas cenas em que aparecem garrafas PET, então não podia ficar com um visual barato demais, mas também não podia ser chamativo demais – acabou sendo bem difícil encontrar esse equilíbrio.

Surpreendentemente!? O formato da garrafa PET que a Pan estende foi um design cuidadosamente trabalhado.

P11: O toque do celular do Penenko ficou excelente.

Kodama: O toque foi criado pelo Nishimura, responsável pelos efeitos sonoros.

Iyoku: Na verdade, ele é mais um “gato-pinguim” do que um pinguim propriamente dito – então é um gato. Por isso, acho que um simples “miau” já funcionava perfeitamente. Já o design da capa do celular foi complicado… tivemos que refazer várias vezes.

Jung: Como os detalhes do conceito ainda estava meio indefinidos, ficamos pensando em como resolver isso…

Kodama: Discutimos várias vezes e fomos ajustando aos poucos.

Iyoku: Não é simplesmente “fofo”, mas também não chega a ser aquele tipo “bizarro-fofo”… coisas como o quanto a barriga se projeta, como isso é mostrado — e depois, ao adaptar isso para o design da capa do celular, encontrar o equilíbrio certo foi bem difícil.

“Penenko”, personagem desenhado pelo Akira Toriyama. A adaptação para capa de celular parece ter dado bastante trabalho.

P12: A forma como o Piccolo segura o celular é bem peculiar, não é?

Kodama: Decidimos transmitir essa “falta de familiaridade” do Piccolo, e como, no início, ele tinha unhas compridas, acabamos chegando nesse jeito de segurar. Mas, na prática, modelar isso é difícil – se o pulso não for flexível, não dá para reproduzir essa posição.

Uma forma de segurar o celular ao estilo Piccolo. A encenação da falta de costume, chegando perto demais da câmera, também chama atenção.

P13: O gesto do Piccolo de arranhar a janela para chamar o Gohan também foi interessante, pois mostra bem a relação entre os dois, não é?

Kodama: Eu simplesmente queria muito colocar um toque de humor nisso, e, pensando em qual seria um sinal típico do Piccolo, acabamos chegando à conclusão de que só podia ser aquele “Kiiー!” (Risos).

Iyoku: Pois é. Piccolo e Gohan não têm uma relação em que ele simplesmente toca o interfone da porta da frente para chamar (Risos).

Arranhar o vidro com as unhas – um sinal bem característico. Um detalhe simpático que deixa transparecer a relação entre Gohan e Piccolo.

P14: Vamos falar sobre o cuidado e as ideias por trás da base do Exército Red Ribbon, cheia de mechanisms e elementos especiais?

Kodama: No início da produção, havia a ideia de que a base seria “como uma caixa de brinquedos virada de cabeça para baixo”. Então pensamos que seria interessante incluir trilhos e coisas com cara de atrações. Tentamos colocar cachoeiras e vários outros elementos… até algo como um “festival de canos”, com muitos tubos espalhados.

Iyoku:Como a base é o palco das batalhas, achamos que seria melhor preparar vários tipos de mecanismos. Entre as ideias, havia também a de lutar sobre um encouraçado.

Jung: O diretor ficou até o fim dizendo “encouraçado, encouraçado…” (risos).

Iyoku: Eu queria muito ver algo como um personagem gigante, tipo o Cell Max, lutando enquanto segurava um encouraçado… mas isso não acabou sendo realizado.

Kodama: Na verdade, ainda dá para ver um vestígio disso. Tinha uma ideia bem empolgante em que o Dr. Hedo comandava o Exército Red Ribbon a bordo de um encouraçado…

Um hangar que aparece por um breve momento. Nele, é possível vislumbrar rapidamente o gigantesco encouraçado, uma ideia à qual o diretor era especialmente apegado.

P15: Vocês também capricharam bastante nos pequenos detalhes, como a Casa do Kame, não é…?

Kodama: Na verdade, quando o modelo da Casa do Kame ficou pronto, eu tive certeza de que “esse trabalho vai dar certo!”. Mas, no fim, ela aparece por cerca de apenas um corte e meio na versão final (Risos).

Nesse momento, na verdade, a Casa do Kame aparece no monitor circular no canto superior esquerdo…!! Vale a pena pausar e conferir.

P16: As cenas de combate mais evoluídas também são um dos destaques deste filme, não é?

Kodama: Isso também já era um conceito desde o início. Queríamos nos afastar daquele tipo de representação mais simples, de golpes alternados de direita e esquerda. Como é CG, não há, em princípio, limitação no número de quadros, então dá para buscar movimentos mais realistas – como “usar corretamente o quadril”, “desferir o soco de forma adequada”, “executar o chute corretamente”. Esse tipo de direção de atuação foi o foco principal.

Iyoku: Aí passa a ser necessário expressar tudo com o corpo inteiro.

Kodama: Mas, claro, quem trabalha com animação não necessariamente já saiu por aí dando socos em alguém (Risos). Então o desafio era como transmitir impacto.

Jung: Inserimos mudanças de perspectiva aqui e ali e usamos certas “licenças visuais”. Analisamos os movimentos quadro a quadro e ajustamos os pontos fracos do CG.

Kodama: A ideia era fazer com que cada quadro funcionasse como uma imagem por si só.

Jung: O diretor checava quadro por quadro e apontava coisas como “tem algo errado neste frame”, com um olhar bem rigoroso.

Kodama: Era tipo: “sério que você vai analisar até esse nível…?”

Jung: Foi realmente uma revisão minuciosa, daquelas de examinar até os mínimos detalhes (risos).

Iyoku: A qualidade deste filme se deve muito a esse nível de dedicação e atenção aos detalhes.

P17: Claro, não podemos deixar de falar da cena de batalha na chuva!

Kodama: Essa é uma cena simbólica do filme, então colocamos bastante empenho nela. Fomos piorando gradualmente o clima até chegar a esse momento. E, quando o Gohan se transforma em sua forma Ultimate, a cobertura do teto da base se rompe, e o céu se abre.

Jung: No final, o resultado ficou bom, mas essa cena deu bastante trabalho – especialmente pelo número de cortes envolvendo chuva. Como a água também interage com os personagens, tivemos o cuidado de mostrar bem as partículas e os respingos. Também ajustamos os efeitos de água ao movimento dos personagens. Mas, se você exagera no realismo, acaba ficando didático demais, artificial. Então foi difícil encontrar uma forma de traduzir isso para a linguagem da animação.

Iyoku: É verdade. Se exagerar nos respingos, acaba chamando atenção demais. O ideal é fazer num nível que não incomode o espectador.

Kodama: Esse limite entre exagerar e não exagerar é complicado, né?

Na luta sob a chuva, foi dado um cuidado extremo até mesmo à quantidade de respingos.

Jung: No começo, o diretor pediu: “faz cair um temporal”… mas quando fizemos isso, a tela ficou praticamente toda branca (Risos).

Iyoku: Se for realista demais, acontece isso mesmo.

Kodama: É preciso saber “mentir bem”. No início pensamos: “se está chovendo, os personagens vão ficar molhados”, então até criamos manchas de umidade… mas isso acabou sendo exagero. Então decidimos remover esse tipo de efeito. Tem respingos, mas não tem manchas.

Iyoku: Buscar o realismo permite trabalhar muitos aspectos, mas não dá para exagerar – e também não pode faltar. Dá para adicionar inúmeros pequenos movimentos, e também trabalhar muito mais as expressões faciais do que o normal. Esse equilíbrio foi algo que buscamos o tempo todo.

P18: Também gostaria de ouvir mais sobre o Cell Max.

Iyoku: O Cell Max criado desta vez é um “produto incompleto”, ativado em um estado ainda inacabado. Por isso, ele não possui a consciência do Cell original. Não dá para saber se ele tem inteligência ou se age apenas por instinto… é praticamente uma criatura monstruosa desconhecida. Então imagino que tenha sido bem difícil para o Seiyuu.

Kodama: Um ponto ao qual gostaria que prestassem atenção é a “pintura” do Cell. No momento da ativação, algo como uma tinta vai se espalhando pelo corpo e as cores vão sendo preenchidas.

Iyoku: Os raios que ele dispara por todo o corpo também são marcantes. Normalmente, feixes são bem lineares, mas nesse caso eles não só se espalham – eles também acompanham o movimento do corpo do Cell Max quando ele se agita. E o som também é muito bom.

Kodama: Aquele som é ótimo mesmo! Além disso, definimos bem as cores dos feixes e das rajadas de energia de cada personagem para dar mais identidade a cada um.

Iyoku: Os movimentos do Cell Max são complicados, né… Ele tem uma forma e um equilíbrio completamente diferentes dos humanos. Fica difícil saber exatamente como ele deveria se mover.

Kodama: Apesar de ser enorme, ele é ágil. Achei incrível que até a sola dos pés dele tenha sido bem definida no design. Também há movimentos imprevisíveis, que fazem você pensar: “por que ele bate as asas justo aqui!?”

O Cell Max recebe uma aplicação de “tinta” pouco antes da ativação.
Os sons dos raios disparados e do bater de asas também merecem atenção.

P19: O “Makankosappo” do Gohan fez até a equipe de produção “despertar”, não foi?

Kodama: O filme foi produzida em um esquema parecido com o de filmes live-action, com “filmagem em ordem” (seguindo a sequência da história). Fomos construindo desde o início, e essa cena é o grande ápice.

Iyoku: Por isso, quando você assiste tudo, dá para perceber que a intensidade das batalhas na segunda metade está em outro nível.

Jung: A questão do Gohan usar o Makankosappo foi algo que discutimos bastante… como é uma técnica originalmente do Piccolo, pensamos em até que ponto deveríamos aproximar a expressão visual dele. Tivemos muito cuidado com tudo – desde as cores e o formato até o equilíbrio de escala em relação ao tamanho gigantesco do Cell Max.

Iyoku: E tem aquele momento em que a câmera se aproxima lentamente do Gohan quando ele vai soltar a técnica… isso dá um arrepio em todo mundo. Esse timing é perfeito. E também tem a expressão dos olhos dele no momento da transformação.

Kodama: É bom demais, né!

P20: A morte do Gamma 2 realmente se tornou uma cena muito marcante, não é?

Iyoku: A ilustração do Cell Max e do Gamma 2 usada como brinde da segunda rodada para o público não foi algo que pedimos – o próprio Akira Toriyama desenhou por conta própria. Por isso, sinto que o significado por trás disso é muito profundo e pesado… e me dá a impressão de que, de certa forma, o destino do Gamma 2 de “cair em combate” já estava decidido desde o início.

Jung: Em termos de encenação, a ideia não era simplesmente ele virar cinzas e desaparecer – depois disso, ele se transforma em luz. As batalhas da parte final acontecem em meio à escuridão, mas nessa cena fizemos com que a luz do sol fosse entrando gradualmente.

Ao esgotar toda a sua energia, Gamma 2 se desfaz como cinzas. Uma cena realmente melancólica.

Kodama: E é justamente ao ser atingido por essa luz que ele se transforma em luz.

Iyoku: De fato, era uma cena que não podia ficar excessivamente carregada ou melancólica, então acho que a transição foi muito bem executada. A música também acompanhou perfeitamente, e a conexão até o final mais leve ficou muito fluida.

Kodama: Como preferência pessoal, eu quis que essa cena final sempre acontecesse em uma superfície inclinada. É um terreno instável… definitivamente não é um lugar confortável para ficar sentado (Risos).

Das cinzas à luz. Sem cair no tom excessivamente sombrio, a cena ilumina o desfecho de forma positiva.

P21: Os créditos finais também passaram por várias idas e vindas, não é?

Iyoku: Como os créditos desta vez ficaram bem longos, incluímos uma ilustração com um ar de epílogo no final, para incentivar o público a não sair da sala e assistir até a cena pós-créditos.

Kodama: No início, queríamos fazer um epílogo em que o Soldado Nº 15 acordasse, visse tudo ao redor transformado em crateras e ficasse aquela dúvida – “o que aconteceu com o Exército Red Ribbon?”. Mas acabamos abandonando essa ideia e partindo para a “história da Nuvem Voadora” (Risos).

Iyoku: Pedimos isso literalmente no último dos últimos momentos.

Kodama: …E por causa disso, acabamos esquecendo de desenhar o bigode do Penenko várias vezes (risos).

O “Nº 15”, que acabou se tornando muito popular entre a equipe de produção e os Seiyuu, pode ser considerado um verdadeiro “herói dos bastidores”.

Comentários de Iyoku sobre as ilustrações de design de Akira Toriyama

Este conteúdo foi reconstruído a partir de um artigo publicado na edição especial de agosto de 2022 da V-Jump.

Ao desenvolver os conceitos e modelos dos personagens deste filme com base nas ilustrações de Akira Toriyama, Iyoku realizou uma supervisão extremamente minuciosa para aproximá-los ao máximo dos designs e da visão de mundo do autor.
Nesta seção, ele comenta esses pontos enquanto apresenta também os desenhos de design de Toriyama.

Gamma 1 & Gamma 2

O Toriyama-sensei provavelmente já tem uma imagem dos personagens em mente no momento em que está escrevendo a história, e então simplesmente os desenha dessa forma. Por isso, no caso de personagens novos, quase nunca faço comentários como “isso está diferente” ou “o que acha disso?” para ele. O Gamma 1 e o Gamma 2, só pelo visual, já têm um ar bem de heróis, não é? Eles são uma materialização da imagem de herói que o próprio Toriyama carrega desde a infância, e parece que elementos como as capas e outros detalhes são uma combinação dessas referências de heróis antigos.

Carmine e o carro que ele dirige

Desta vez, acima de tudo, quando vi o Magenta e o Carmine juntos, pensei: “isso é muito a cara do Toriyama”. E isso realmente ficou muito bom. Também pedimos que ele desenhasse o carro do Carmine, mas como os detalhes do interior não estavam definidos, nós mesmos criamos essa parte. Um dos pontos em que mais nos dedicamos neste filme foi justamente o nível absurdo de detalhamento. Fizemos a equipe de produção revisar tudo inúmeras vezes. Discutimos coisas como “essa cor do interior poderia ser assim ou assado”, “essa parte aqui deveria mudar de posição” e por aí vai. Como era necessário construir até mesmo as partes que quase não aparecem, acabamos definindo tudo com um nível de detalhe bem alto.

Karin-Sama

Falando de personagens já existentes, no caso da Karin-sama fizemos uma supervisão extremamente rigorosa, com muita atenção aos detalhes, para alinhar ao máximo com as ilustrações do Toriyama. Desta vez, pedimos que o próprio Toriyama-sensei a redesenhasse, e então fizemos vários ajustes no modelo, como o equilíbrio de como a barriga repousa sobre as pernas, revisando isso repetidas vezes.

Penenko

Também tivemos um cuidado enorme com o Penenko. No roteiro havia a indicação de que “ele receberia um bichinho de pelúcia”, então pedimos para que o design fosse desenhado, mas o traço do Toriyama-sensei tem um equilíbrio muito delicado, o que tornou isso bastante difícil. O motivo de ele acabar recebendo o bichinho de pelúcia não é explicado na história principal, não é? O Piccolo ganha o brinquedo da Pan e, ao demonstrar que gostou por consideração, Gohan e Videl acabam entendendo errado e acham que ele realmente gosta daquilo.

Pan

A Pan-chan também foi difícil. Principalmente o formato do chapéu do uniforme do jardim de infância. Com base no design do Toriyama-sensei, discutimos várias vezes coisas como: “vendo por trás, ficaria assim, né?”. E tem também o cabelo. Achei que a forma como a franja é dividida foi muito cuidadosamente pensada, então reproduzimos com bastante fidelidade detalhes como a formação das mechas e a textura do cabelo. Por isso, acredito que não haja muita diferença em relação ao design do Toriyama-sensei.

Glossário

1. Shikishi (紙): Cartão de autógrafo.

Agradecimento especial ao @Turo_db (X, antigo Twitter) por ter escaneado o livro e disponibilizado gratuitamente em seu patreon.

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