Romancing SaGa Minstrel’s Song Remastered International – Análise

Romancing SaGa Minstrel’s Song Remastered International – Análise

Romancing SaGa Minstrel’s Song Remastered International é a versão mais completa do remake lançado originalmente no PlayStation 2 em 2005, por sua vez baseado no Romancing SaGa de Super Famicom de 1992. A edição International não altera a estrutura central do jogo, funcionando como uma consolidação da remasterização de 2022, agora acompanhada por novas localizações ocidentais, incluindo textos em italiano, além de ajustes de apresentação já presentes nas versões recentes.

O jogo se passa no continente de Mardias, cenário marcado por um conflito mitológico ocorrido mil anos antes do início da narrativa, envolvendo as divindades Elore, Saruin, Schirach e o Deus da Morte. Para deter Saruin, são criadas as Fatestones, usadas no ritual que o sela após o sacrifício do herói Mirsa. Séculos depois, com as pedras espalhadas pelo mundo e a história reduzida a lenda, surgem sinais indiretos de seu possível retorno. Esse pano de fundo é comum a todas as campanhas, mas não existe uma linha principal obrigatória nem uma sequência fixa de eventos. Romancing SaGa Minstrel’s Song Remastered International utiliza essa base narrativa simples para sustentar um sistema propositalmente não linear. A progressão da história varia de acordo com o protagonista escolhido e com o avanço global do mundo, sem conduzir o jogador por uma estrutura tradicional de atos.

O jogo começa com a escolha entre oito protagonistas, cada um com origem, ponto de partida, eventos iniciais e relações próprias com o mundo. Albert parte da destruição de Isthmus Keep durante uma missão diplomática; Aisha procura sua tribo desaparecida; Hawke é traído e perde seu navio; Gray se envolve com a espada falante Falcata; Claudia cresce isolada da sociedade sob a proteção de Eule; Barbara encontra o Menestrel e uma Fatestone logo no início; Sif e Jamil seguem trajetórias ligadas a conflitos regionais e decisões pessoais. Esses inícios são como pontos de entrada diferentes em um mesmo sistema (e não campanhas separadas), no qual o mundo evolui independentemente do personagem escolhido.

Posteriormente, novos personagens aparecem e integram a campanha. Aldora, Galahad, Captain Silver, Diana, Frielei, Lady Flammar e Monica aparecem conforme regiões visitadas, escolhas feitas e o estágio interno da progressão. Muitos estão ligados a disputas políticas, ordens religiosas ou facções regionais, como os Cavaleiros da Dominion, o Império Bafal ou Valhalland, e não diretamente à ameaça de Saruin. Antagonistas como Duke Loban, Tuman e The Butcher atuam gerando conflitos que podem ser resolvidos, ignorados ou perdidos conforme o tempo avança. Sobre Saruin, ele é o antagonista central, mas atua mais como uma força em segundo plano do que como um vilão constante. Seus Minions, cultistas e entidades como Ifrit executam ações paralelas, buscando Fatestones e interferindo nos acontecimentos de Mardias, muitas vezes sem contato direto com o jogador.

A narrativa de Minstrel’s Song não é organizada em atos, dependendo mais dos estados do mundo, onde missões expiram, personagens mudam de lugar e consequências ocorrem mesmo sem participação direta. Essa estrutura está integrada aos sistemas do jogo por meio do Free Scenario System. O avanço narrativo depende das ações do jogador, dos locais visitados, das conversas iniciadas, do número de batalhas concluídas, do Event Rank e das rotas escolhidas, não havendo distinção clara entre missões principais e secundárias, além de que o jogo não apresenta todo o enredo em uma única campanha. Muitos eventos e personagens relevantes, além de variações de desfecho, só aparecem em múltiplas jogadas.

O sistema de progressão é um dos aspectos mais característicos da série SaGa, pois não existem níveis tradicionais nem pontos de experiência acumulados após batalhas. O desenvolvimento dos personagens ocorre por meio do uso recorrente de armas, técnicas e magias, além da alocação de recursos específicos junto a treinadores. Novas habilidades podem ser aprendidas de forma contextual durante os combates, sem indicação direta das condições que levaram ao desbloqueio. As batalhas são baseadas em turnos e ocorrem em arenas separadas ao entrar em contato com inimigos nos cenários e cada ação consome Battle Points, regenerados a cada turno, enquanto armas possuem durabilidade e podem se desgastar com o uso de técnicas mais avançadas. Os personagens contam com dois tipos de vitalidade, sendo eles os pontos temporários, que se restauram ao fim da luta, e pontos permanentes, cuja perda pode levar à morte definitiva do personagem.

O jogo também incorpora o sistema de Event Rank, que regula a dificuldade global com base no número de batalhas vencidas. Quanto mais confrontos são realizados, mais fortes se tornam os inimigos, que acaba tendo como objetivo desencorajar o grinding tradicional e incentivar exploração e conclusão de eventos. Na prática, isso pode resultar em picos de dificuldade, especialmente para jogadores menos familiarizados com a lógica da série.

A versão Remastered International mantém todas as melhorias de qualidade de vida introduzidas anteriormente. Entre elas estão a exibição visível do Event Rank, aceleração de combates e exploração, interface reformulada, ajustes de balanceamento, novos personagens recrutáveis, chefes adicionais e opções de configuração do ritmo do tempo de jogo, permitindo uma experiência mais próxima da versão japonesa original ou da adaptação ocidental. Visualmente, o jogo preserva o estilo adotado no remake de PS2, com modelos 3D de proporções exageradas e cenários relativamente simples. A remasterização melhora resolução e nitidez, mas não altera o design original nem moderniza significativamente os assets. O resultado pode parecer datado, sobretudo quando comparado a JRPGs contemporâneos.

A parte sonora permanece um dos pontos fortes, com trilha composta por Kenji Ito e suporte a múltiplas opções de áudio. A edição International adiciona dublagem japonesa e mantém a inglesa, além de ampliar significativamente as opções de idioma para textos, tornando o jogo mais acessível ao público europeu.

Romancing SaGa Minstrel’s Song Remastered International não busca adaptar sua filosofia a padrões modernos, pois trata-se de um RPG deliberadamente complexo, com sistemas interdependentes, progressão pouco transparente e alto grau de liberdade e essa nova edição torna essa experiência mais compreensível e acessível do ponto de vista técnico e linguístico, mas preserva integralmente sua estrutura original. É um título recomendado principalmente para jogadores já familiarizados com a série SaGa ou interessados em sistemas de RPG não convencionais, mas para o público geral, especialmente para quem espera uma progressão guiada ou mecânicas mais intuitivas, Minstrel’s Song continua sendo uma experiência exigente e pouco concessiva.

Nota – 9,0

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