The 9th Charnel – Análise

Análise – The 9th Charnel

The 9th Charnel é um jogo de terror em primeira pessoa desenvolvido por Saikat Deb, inspirado em títulos conhecidos como Resident Evil VII, Amnesia, Outlast e Alien: Isolation. Infelizmente a execução técnica e o design mal resolvido impedem que o jogo consiga gerar tensão ou envolvimento de forma consistente, que é primordial em qualquer jogo de terror.

A história começa com Michael, que acorda sozinho em uma região isolada depois de sofrer um acidente de carro. Sem entender o que aconteceu, ele precisa explorar o local enquanto enfrenta cultistas, criaturas deformadas e descobre pouco a pouco os segredos da família Charnel. A narrativa tenta usar flashbacks e mudanças de perspectiva para criar mistério, mas acaba ficando confusa, com personagens mal desenvolvidos, o que torna a história ruim. O próprio protagonista quase não reage aos acontecimentos, permanecendo em silêncio mesmo diante de situações extremas, o que deixa tudo ainda mais distante e artificial.

Visualmente, os modelos dos personagens nas cutscenes são estranhos, com animações rígidas e expressões pouco naturais. Os cenários têm baixo nível de detalhe, iluminação irregular e aparência datada, longe de fazer jus a um título dessa geração. Em alguns momentos específicos, como em trechos dentro de uma escola abandonada, o uso de sombras e luz até consegue criar uma atmosfera interessante, mas é o máximo que o jogo oferece. E as cutscenes, em especial, quebram completamente qualquer tentativa de criar algum impacto.

O áudio também é problemático. A trilha sonora e os efeitos cumprem apenas o básico, sem criar qualquer tensão. A dublagem apresenta problemas de qualidade e distorções, enquanto o silêncio constante do protagonista prejudica ainda mais a imersão. Além disso, não há qualquer uso relevante dos recursos do controle DualSense no PlayStation 5.

Na jogabilidade, The 9th Charnel aposta em uma exploração lenta, com tarefas básicas, como procurar chaves, ligar geradores, acessar computadores e destrancar portas. O problema é que essas ações se repetem demais desde o início, tornando a experiência cansativa já na primeira hora. O cenário oferece pouca interação, com poucos objetos que realmente acrescentam algo à narrativa. Muitas vezes, itens importantes são mal indicados, fazendo o jogador perder tempo vagando sem saber exatamente o que fazer.

Os puzzles variam entre simples demais e confusos sem necessidade, contando e muito com tentativas e erros para serem solucionados. O sistema de interação é impreciso, tornando ações básicas frustrantes, como descer uma escada ou ativar um objeto. O inventário também atrapalha, já que os itens precisam ser equipados manualmente antes de funcionarem, quebrando o ritmo e tornando tudo extremamente burocrático e cansativo.

O controle do personagem é travado e pouco confortável e essa falta de fluidez prejudica tanto a exploração quanto as sequências de perseguição. E o design dos inimigos também não sustenta a proposta de survival horror. As criaturas apresentam inteligência artificial limitada, com comportamentos previsíveis e falhas frequentes de movimentação. Pra piorar, a ausência de armas durante boa parte da campanha torna o ritmo ainda mais lento, deixando o jogo extremamente monótono.

The 9th Charnel é um jogo lento e pouco recompensador. Alguns capítulos apresentam longos trechos de deslocamento quase vazio, seguidos por eventos pouco impactantes, como armadilhas que quase não causam dano ou perseguições facilmente evitáveis. Sua curta duração acaba sendo um dos poucos pontos positivos (isso se o jogador ignorar os bugs que te forçam a ter que fechar o jogo), tornando a jornada menos cansativa diante de tantas limitações. Mesmo sendo a estreia de um desenvolvedor independente, é um produto difícil de recomendar.

Nota: 4,0

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