Captain Tsubasa 2: World Fighters – Análise

Análise – Captain Tsubasa 2: World Fighters

Seis anos depois de Rise of New Champions, Captain Tsubasa 2: World Fighters finalmente traz de volta o futebol exagerado de Super Campeões. A Tamsoft retorna com um jogo maior, com mais personagens e algumas mudanças importantes nas partidas. É justamente dentro de campo que a sequência funciona melhor, enquanto alguns aspectos fora dele ainda poderiam ter recebido um pouco mais de atenção.

A campanha acompanha o arco World Youth. Tsubasa está jogando no Brasil, vários personagens seguiram caminhos diferentes desde a última história e a seleção juvenil japonesa precisa se reunir novamente para uma competição mundial. Yoichi Takahashi participou da construção dessa nova trama, e isso aparece principalmente no espaço dado ao elenco. São mais de 110 jogadores e 22 seleções, com personagens pouco lembrados ganhando pequenas cenas e participações próprias.

O personagem customizado também voltou e agora pode atuar em qualquer posição, inclusive como goleiro. A possibilidade de criar alguém para jogar no gol fazia falta no primeiro jogo e amplia bastante as opções. A entrada desse personagem na parte brasileira da história acontece rápido e de maneira bastante conveniente, mas funciona bem como uma forma de integrá-lo à campanha sem tirar de Tsubasa o papel central da narrativa.

O ritmo da campanha, porém, pode exigir um pouco mais de paciência. Para quem gosta do universo de Captain Tsubasa, uma história cheia de diálogos certamente não é um problema por si só, mas aqui essas conversas interrompem as partidas com bastante frequência. Às vezes são poucos minutos de jogo seguidos por longas sequências com personagens praticamente estáticos. Nas primeiras horas isso funciona bem como apresentação, mas depois de várias interrupções no meio de partidas importantes é natural sentir vontade de avançar algumas falas para voltar logo ao campo.

As telas de carregamento entre uma cena e outra também quebram um pouco esse ritmo. Há momentos em que a partida começa a ganhar intensidade, acontece alguma jogada importante e logo surge uma nova sequência de diálogos antes que seja possível continuar. Não chega a comprometer a campanha, mas poderia ser mais ágil.

Quando a bola está rolando, World Fighters melhora bastante. A base continua claramente arcade, com passes, cruzamentos, dribles e chutes especiais, sem preocupação em reproduzir um futebol muito próximo do real. A principal novidade é o sistema de Chain. Ações bem-sucedidas aumentam um multiplicador que pode chegar a 10 e fortalece o próximo chute.

A parte mais interessante é que essa sequência não pertence necessariamente ao time que a construiu. Perder a posse transfere o bônus para o adversário. Isso muda bastante a maneira como os ataques são montados. O jogador pode chegar perto do nível máximo, perder a bola por tentar um drible desnecessário e ver a CPU aproveitar toda aquela sequência contra ele. Depois que isso acontece algumas vezes, manter a posse passa a importar muito mais do que simplesmente tentar avançar o mais rápido possível.

Os goleiros também receberam mudanças importantes. No primeiro jogo, a sensação era muito próxima de atacar uma barra de resistência até ela acabar. Agora existe uma decisão defensiva no momento do chute. É preciso escolher a direção em que o goleiro vai tentar defender: acertar gera um Perfect Save e preserva sua resistência, enquanto errar faz a barra cair bastante.

Há ainda o BREAK. Chutes muito fortes podem reduzir de maneira permanente a resistência máxima do goleiro durante aquela partida. No começo apanhei bastante desse sistema porque o tempo para responder é curto. Depois que me acostumei, passei a gostar muito mais das disputas entre atacante e goleiro. Defender um chute especial porque consegui antecipar a direção é provavelmente uma das partes que mais gostei nas partidas.

Dentro de campo ainda aparecem alguns comportamentos que incomodam. A inteligência artificial dos companheiros nem sempre toma as melhores decisões. Zagueiros controlados pela CPU às vezes demoram para reagir enquanto o adversário avança. Também podem ocorrer passes direcionados para jogadores diferentes daquele que se pretendia usar, e alguns movimentos de câmera atrapalham justamente em situações em que seria melhor ter uma visão mais aberta do campo.

A ausência de substituições durante a partida também chama atenção. Depois que o jogo começa, não é possível trocar jogadores ou alterar a formação. Isso reduz as possibilidades de adaptação durante uma partida. Se alguém está cansado ou se a estratégia escolhida antes do início não está funcionando, é preciso seguir com aquela configuração até o apito final. Considerando que World Fighters adiciona novas mecânicas e dá mais importância às decisões dentro de campo, seria interessante ter um pouco mais de liberdade nesse aspecto.

Depois da campanha, também fica a sensação de que dava para fazer mais com um elenco desse tamanho. Há mais de 100 personagens, várias seleções e muitas combinações possíveis, mas os modos offline são relativamente simples. A liberdade para montar equipes e continuar jogando de maneira mais solta depois da história ficou menor do que em Rise of New Champions. Terminei a campanha querendo usar alguns jogadores que tinha desbloqueado e encontrei menos possibilidades do que esperava.

Visualmente, o jogo continua muito próximo da identidade do anime. O cel-shading é muito bom, especialmente nos rostos e nos golpes especiais, e algumas animações conseguem reproduzir aquela escala absurda que sempre fez parte de Captain Tsubasa. A trilha de Tadayoshi Makino também acompanha muito bem essas sequências.

Com o passar das horas, porém, algumas animações começam a se repetir bastante. Na primeira vez que Hyuga usa o Tiger Shot e destrói parte do campo, a cena tem bastante impacto. Depois de vê-la muitas vezes durante partidas longas, começa a ocupar mais tempo do que o necessário. Poder pular determinadas animações ajudaria a deixar algumas partidas mais rápidas, principalmente depois que esses golpes já foram vistos várias vezes.

No Brasil, uma ausência acaba chamando bastante atenção: World Fighters não recebeu legendas em português brasileiro. A decisão chama atenção porque Rise of New Champions tinha tradução e porque boa parte desta nova campanha acontece justamente no Brasil. Estamos falando ainda de uma franquia de futebol cujo mangá chegou oficialmente ao país em julho de 2026. Considerando a popularidade do esporte por aqui e o público que Captain Tsubasa sempre teve entre os brasileiros, seria muito bem-vindo ver o PT-BR novamente.

Depois de algumas horas, é difícil não perceber que World Fighters funciona melhor durante as partidas. O sistema de Chain altera bastante o ritmo dos ataques, os goleiros finalmente exigem mais atenção e há mais decisões interessantes dentro de campo do que no jogo anterior.

A campanha poderia ser um pouco mais ágil, a inteligência artificial ainda tem alguns comportamentos estranhos, as opções offline poderiam ser mais amplas e a impossibilidade de alterar o time durante as partidas limita um pouco a estratégia. Nada disso apaga o quanto o futebol em si evoluiu.

Para quem gosta de futebol e já acompanha a franquia, há bastante coisa para aproveitar. Captain Tsubasa 2: World Fighters melhora vários aspectos importantes da série e tem algumas das melhores partidas que a Tamsoft já fez com a franquia. Alguns sistemas ainda poderiam ser mais completos, principalmente fora de campo, mas as mudanças feitas no futebol funcionam bem e deixam a sequência mais interessante de jogar do que Rise of New Champions.

Nota: 8,0

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