Comentários dos Produtores de Dragon Ball DAIMA no Box de Blu-ray (Episódios 1, 2 e 20)

Obs: A tradução a seguir foi feita com base na tradução em inglês fornecida pelo usuário @Venixys no Twitter.
Os comentários são de Akio Iyoku (produtor executivo), Aya Komaki (diretora) e Yoshitaka Yashima (diretor)
DRAGON BALL DAIMA – EPISÓDIO 01:

A discussão começa com uma análise da sequência de abertura, uma montagem de cenas icônicas do passado de Dragon Ball. O diretor Yashima reconhece a dificuldade de reconstruir a cronologia exata após quase 40 anos, confiando grande parte da composição visual a Komaki. Um ponto-chave é a abordagem estilística das cenas que aparecem na obra original: o objetivo não era reproduzir as mesmas cenas que já haviam ido ao ar, mas — seguindo o conselho dos animadores — criá-las do zero, emulando o traço característico de Toriyama-sensei em seus mangás e ilustrações. O maior desafio, segundo eles, foi alcançar um “efeito de tela” convincente nas imagens. Nesse aspecto — assim como no peso das linhas e na combinação de cores — houve inúmeras discussões com Iyoku.
Komaki: “Ao mesmo tempo em que evocávamos o passado, queríamos mostrar um novo DAIMA, mostrar um novo Dragon Ball, sem fazê-lo parecer datado, mas com aquela leve qualidade desbotada que traz de volta memórias do passado… essas partes foram tratadas com um cuidado minucioso.”
Iyoku: “O começo de DAIMA na verdade cumpre dois propósitos. O primeiro, como Yashima-san acabou de dizer, era transmitir que ele se conecta diretamente após a saga Boo. O outro, que se relaciona ao que discutimos antes, era tornar o ponto de entrada fácil: se começasse de repente, as pessoas não entenderiam o que está acontecendo; então, ao explicar a situação — ‘o estado das coisas’ — queríamos que até mesmo aqueles que nunca tinham visto nada antes pudessem assistir. Do ponto de vista da história, foi pensado dessa forma e cumpre esse papel.”
Quando Yashima recebeu o primeiro rascunho do roteiro de Toriyama, o texto ainda estava incompleto: ele não sabia como a trama se desenvolveria nem como terminaria.
Yashima: “Lendo o esboço original do sensei, entendi que a história se passava após a saga Boo, mas, honestamente, eu ainda me perguntava como ela realmente se desenrolaria depois — já que o esboço do sensei ia apenas até a metade — que tipo de história tomaria forma.”
Komaki elogiou o animador Yōhei Sasaki e o supervisor Chikashi Kubota por tornarem os movimentos de Gomah e Degesu extremamente “teatrais”. Ele lhes deu total crédito pela animação excepcional dos dois personagens.
Iyoku admitiu que estava preocupado com a reação do público, temendo que a ausência inicial de Goku, Vegeta e outros rostos familiares pudesse afastar os espectadores, já que o episódio passa um longo período focando em novos personagens.
Komaki, por outro lado, ficou satisfeita: as muitas falas leves e piadas no rascunho original de Toriyama a convenceram de que Gomah seria bem recebido.
Gomah é um tipo de personagem “familiar”, no espírito da série, e fácil para a equipe trabalhar. Segundo Komaki, ele também é muito popular internamente: muitos animadores queriam desenhá-lo.
Yashima confirmou que Gomah havia se tornado popular entre a equipe: seu design transmitia imediatamente sua personalidade, tornando-o fácil de trabalhar já na fase de storyboard.
Respondendo à pergunta sobre por que Shin e Degesu são parecidos, Iyoku explica que eles debateram sobre qual personagem levar para o Reino dos Demônios, e a escolha recaiu sobre o Supremo Senhor Kaioh. Para aprofundar o envolvimento dele, criaram um personagem próximo a ele: Degesu.
Gomah, por outro lado, surgiu primeiro, e só mais tarde Degesu foi colocado ao seu lado, quase como um mordomo. Iyoku descreve este último como um personagem “maneiro”.
Iyoku: “No que tange a forma de trabalhar do sensei, existem vários casos: às vezes os personagens e o roteiro surgem ao mesmo tempo; em outras, os personagens nascem depois do roteiro. Mas, no caso de Gomah, tenho a sensação de que ele já tinha o design em mente e provavelmente escreveu o roteiro pensando no seu visual.”
Iyoku revela que as primeiras discussões do projeto remontam a 2018: ainda não se chamava Dragon Ball DAIMA, mas ele e Toriyama já queriam criar uma série “um pouco diferente”.
A ideia surgiu no meio da produção de Dragon Ball Super: SUPER HERO. Junto com a equipe do anime, eles já debatiam o que fazer e o que não fazer, apresentando várias ideias.
A produção foi particularmente longa: as reuniões para o episódio 1 começaram por volta de 2020, e o storyboard ficou em espera por quase um ano, antes de o trabalho ser retomado de forma intensa.
Yashima confirmou a existência de um vídeo piloto de três minutos, que foi usado para estabelecer o a construção de mundo, a paleta de cores e a apresentação dos personagens. Depois disso, ele foi mostrado aos vários produtores, que o aprovaram, dando início oficial à produção.
É explicado que a ideia de ambientar a história no Mundo dos Demônios (Makai) veio diretamente de Toriyama, que queria explorar um canto do universo que, até então, havia sido pouco explorado. Depois disso, os detalhes foram desenvolvidos em conjunto com Iyoku, Yashima e Komaki.
Além disso, a piada de Warp-sama expelindo da parte de trás do próprio corpo foi criada por Toriyama.
Inicialmente, nem o formato nem a data de lançamento haviam sido decididos. Como Iyoku explica, eles começaram a trabalhar sem se preocupar muito com esses aspectos. Foi por isso que o primeiro episódio acabou ficando mais longo do que o esperado: não havia planos concretos para duração ou distribuição.
Komaki explica que a gravação das vozes deste episódio foi feita depois que a animação já havia sido colorida. Eles deram grande ênfase — por meio da habilidade dos dubladores — em destacar como Gomah, Arinsu e Degesu estavam se avaliando mutuamente, com interpretações deliberadamente exageradas que ela solicitou de propósito.
Iyoku estava muito preocupado com o lado vocal e frequentemente dava orientações, pois, por serem personagens não humanos, suas emoções poderiam ser complexas e difíceis de interpretar. Sua instrução final foi não focar demais em métodos complicados, mas adotar uma abordagem mais leve, para entrar nos personagens com mais facilidade.
Komaki relembra que, de acordo com o roteiro, Neva deveria caminhar a “passo de tartaruga”, e ela se perguntava quão devagar deveria fazê-lo se mover. Ela diz que o supervisor Chikashi Kubota fez muitas correções durante a cena em que Gomah, Degesu e Neva estão em sua nave, adicionando inúmeros movimentos e tornando Gomah, em particular, mais carismático.
Iyoku explica que Toriyama gostava muito de personagens idosos, e transformá-los quase em protagonistas é típico de seu estilo — é por isso que Neva existe. Komaki acrescenta que, em sua visão, Katsuyoshi Nakatsuru também adora Neva: ele corrigiu muitos desenhos de outros animadores, adicionando inúmeras rugas de forma excelente.
Alguns dos veículos foram criados em CG, através de um processo longo e complexo. Komaki explica que foi incrivelmente difícil, com inúmeras tentativas e erros durante a produção. Para o veículo de Gomah, existe uma ilustração original de Toriyama. Durante a modelagem, eles continuavam se perguntando: “Como devemos fazê-lo?”. O processo de adaptação foi demorado porque, de um ângulo, podia parecer fiel, mas todos os pontos de vista tinham de ser verificados.
Yashima acrescenta que Toriyama era muito meticuloso com a mecânica: ele explicava a razão de cada detalhe e até criava visões tridimensionais.
Iyoku foi muito meticuloso com a representação da comida: até a diferença entre uma taça de champanhe e um copo de vinho tinha de ser óbvia! Ele pediu desculpa pelos seus padrões exigentes, mas elogiou o resultado final.
Quanto à festa, houve muitas reuniões: a conclusão foi que não deveria parecer apenas uma festa qualquer. Eles enfatizam que a Capsule Corporation é tecnologicamente avançada; daí a ideia de adicionar muitos elementos distintos. Iyoku queria evitar reutilizar cenários vistos demasiadas vezes, por isso escolheram novos designs e adereços para dar ao ambiente um aspeto renovado.
Mesmo que o Gohan (Mini) nunca apareça, existe um design não publicado dele.
Iyoku: “Pedimos ao sensei para desenhá-lo, apenas por precaução”.
Eles dizem que teria sido uma boa ideia incluí-lo pelo menos em um eyecatch (vinheta de intervalo).
Yashima diz que assiste a Dragon Ball desde os anos 80, mas que “perdeu uma boa parte” no meio do caminho. Além de ter trabalhado na animação de alguns filmes daquela época, ele só voltou a desenhar a série com Dragon Ball Super. Os membros mais jovens da equipe, que assistiram a toda a série em ordem, às vezes diziam a ele: “Não, diretor, isso está errado!”.
Abre-se uma discussão sobre a mudança geracional e o trabalho com a marca: Iyoku nota que desta vez muitas pessoas na equipe de produção estavam trabalhando em Dragon Ball pela primeira vez. Komaki confirma que adora a série, mas que este também foi o seu primeiro trabalho numa produção ligada à marca; ela diz que ficou muito entusiasmada quando foi convidada. Depois de ler o rascunho original de Toriyama, ela decidiu que queria absolutamente aceitar o trabalho.
Ela enfatizou que esta produção reuniu veteranos que estiveram lá desde o início e também recém-chegados, e as contribuições de tantas pessoas a encheram de gratidão.
Yashima acrescenta que apenas Kazuya Karasawa tinha experiência prévia na direção de Dragon Ball, enquanto todos os outros diretores da série eram novatos na franquia.
Komaki elogiou Tōru Iwazawa, que cuidou do storyboard e da animação da cena. Um grande fã de Dragon Ball e um animador talentoso (supervisor-chefe de animação de ação em Frieren), Iwazawa conseguiu transmitir seu estilo desde a fase do storyboard.
Yashima acrescenta que Iwazawa contribuiu com muitas ideias para a ação.
A equipe passou muito tempo decidindo como encerrar o episódio. Eles sabiam que o final tinha que incluir Shenlong, seguido por todos os personagens se transformando em crianças. Eles se perguntaram se, no momento da transmissão, os espectadores entenderiam claramente o que havia acontecido. Na verdade, apesar do planejamento, eles ouviram relatos de que alguns fãs ficaram confusos, já que nem todos os personagens são mostrados em suas formas infantis e a cena termina com um grito.
Komaki explica que essa escolha foi intencional.
DRAGON BALL DAIMA – EPISÓDIO 02:

Yashima explica que, uma vez que os personagens são transformados em suas formas infantis, eles mudam completamente: atuação, movimentos, expressões — tudo assume um ritmo e uma abordagem diferentes. Do ponto de vista da animação, ele achou que isso poderia ser uma tarefa bastante difícil.
Komaki concorda e ressalta que a maior dificuldade veio das proporções corporais drasticamente diferentes. Ninguém na equipe estava acostumado a desenhá-los daquela forma: houve muitos desafios técnicos, mas eles trabalharam duro para realçar a fofura deles o máximo possível.
Komaki dirigiu e criou o storyboard da abertura “JAKA JAAN”. O seu objetivo principal era destacar a ideia de “uma história que ninguém conhece”. Ela também quis enfatizar desde o início que se trata de uma obra criada por Toriyama-sensei, razão pela qual escolheu abrir a sequência com a cena da entrada no Reino dos Demónios.
O maior desafio foi combinar o aspecto visual com uma canção de tom invulgar para Dragon Ball. Ao falar sobre a faixa, Komaki compara-a a surume (lula seca): quanto mais se ouve, mais vontade você tem de cantarolar ela. Ela acredita que a força da música vem principalmente da composição, mas também da letra de Mori Yukinojo, a quem ela chama, sem hesitar, de “um génio”.
Iyoku relembra que, embora ambos tenham tido o storyboard feito por Yashima, o segundo episódio foi dirigido por Kazuya Karasawa, enquanto o primeiro teve um diretor diferente. Komaki, como diretora geral, supervisionou todos os episódios. Iyoku imagina que houve uma grande coordenação envolvida e que unificar o estilo foi uma tarefa complexa. Ele está, no entanto, satisfeito por não haver mudanças artísticas perceptíveis de um episódio para o outro.
Komaki: “Todos tiveram dificuldades, mas no fim o trabalho foi concluído com sucesso.”
Komaki recorda que, durante as sessões de gravação, muitos dubladores expressaram o seu entusiasmo, dizendo: “Estou tão feliz por fazer parte de Dragon Ball pela primeira vez!”. Eles trabalharam com grande paixão e foco intenso. Iyoku descreve a atmosfera como alegre e descontraída, com um espírito de encorajamento mútuo entre os dubladores.
Komaki confirma isso, observando que, por exemplo, os intérpretes de Piccolo e Vegeta comparavam abordagens durante os ensaios: “Talvez seja melhor assim? Ou assim?”. Além disso, eles não paravam de elogiar Nozawa-san por ser capaz de dar voz até mesmo a personagens bebês sem dificuldade.
Eles ficaram muito surpresos quando viram o design do Mr. Satan. Komaki achou que ele realmente transmitia a ideia de um herói.
Iyoku explica que o design de Popo foi discutido longamente com Toriyama e revisado várias vezes antes da decisão final. Yashima acrescenta que houve três ou quatro iterações antes de chegarem à versão definitiva.
Iyoku: “Quando se trata de criar vários elementos da história de fundo, o sensei pensa muito neles durante o desenvolvimento. Ele não simplesmente inventa algo e deixa por isso mesmo. Na verdade, com muita frequência, ele apresenta essas ideias precisamente quando pensa: ‘Ah, este é o momento perfeito para contar esta história’. Não é algo que ele se force a inventar na hora. E, voltando à questão do primeiro episódio, a revelação sobre os Kaiohshin — sobre como os Glinds na verdade eram de uma certa maneira — bem, essa é uma ideia que ele provavelmente tinha em mente há muito tempo. A verdadeira questão era quando seria o momento certo para revelá-la, e esse momento era “agora”. É assim que costuma acontecer com aspectos da narrativa de fundo.”
A ideia principal para distinguir os três mundos foi atribuir a cada um uma paleta de cores específica. O Terceiro Mundo Demoníaco foi desenhado diretamente pelo Toriyama-sensei e é caracterizado por uma terra amarelada.
O Segundo Mundo foi concebido como um “planeta de água”, e a sua cor dominante é o verde. Por fim, para o Primeiro Mundo, quiseram transmitir uma imagem mais “sinistra e inquietante”. Para isso, decidiram basear a sua estética no preto e no vermelho. Outra diferença é o nível de avanço tecnológico entre os vários reinos; até as paletas de cores das aeronaves seguem a lógica de cores de cada reino.
Para Iyoku, foi bom ver a Bulma ir para o Reino dos Demônios porque isso recorda a atmosfera do primeiro Dragon Ball. Ele também explica que eles pensaram cuidadosamente sobre como formar o “grupo”.
Iyoku reitera — assim como disse no comentário do episódio 1 — que, como a história se passa no Reino dos Demônios, era natural incluir o Kaiohshin. A chegada de novos personagens, como Glorio, exigiu uma reflexão sobre como manter o equilíbrio dentro do elenco.
Iyoku se pergunta o que as pessoas imaginam quando ouvem “Reino dos Demônios”, já que ele nunca havia sido retratado dessa forma antes. Komaki sugere que, no episódio três, veremos que ele não é tão diferente da Terra — um toque muito característico de Toriyama. Yashima elogia a si mesmo e aos animadores responsáveis pelos layouts da cena de chegada de Glorio, enfatizando a sensação de profundidade que transmitem.
Iyoku diz que a breve aparição de Karin vem de um novo design que Toriyama criou durante a produção de Dragon Ball Super: SUPER HERO.
Ele achou o design tão fofo que pediu ao sensei para incluí-lo em DAIMA também, já que seria uma pena não utilizá-lo.
O design para a versão jovem do Mestre Kame foi feita por Katsuyoshi Nakatsuru. Iyoku e Yashima brincam que ele poderia, pelo menos, ter tido um pouco mais de cabelo!
Eles também reiteram que os personagens apenas rejuvenesceram por fora, enquanto por dentro continuam os mesmos.
No final do segundo episódio, a cena da refeição exigiu uma atenção enorme por parte da equipe. Yashima explica que solicitou inúmeras revisões para essa sequência.
Iyoku recorda que ainda não tinha sido decidido que a série seria exibida às 23:00, mas a sequência acabou por ser perfeita para esse horário, pois podia deixar os espectadores com fome. Komaki acrescenta que os adereços ficaram a cargo de Hidemitsu Masui, um designer de acessórios e grande fã de Dragon Ball, que trabalhou com muito cuidado e atenção aos detalhes.
Yashima descobriu que Goku usaria o Bastão Mágico quando viu o design inicial de personagem feito por Toriyama. Komaki achou que seria muito divertido ver cenas de ação inéditas com um Super Saiyajin empunhando o Bastão Mágico. Eles acreditam que os animadores também se divertiram, já que muitos provavelmente nunca tiveram a chance de animar um acessório tão icônico.
Iyoku pediu à produção para que Glorio passasse a imagem de um personagem extremamente “maneiro”, tanto na animação quanto na dublagem. A sua presença serve para equilibrar o grupo, introduzindo um homem charmoso logo desde o início.
O design passou por múltiplas revisões antes da versão final, mas a ideia central foi sempre torná-lo “descolado”. Iyoku também gosta muito do design das roupas ajustadas ao corpo, elogiando o cuidado que Toriyama sempre coloca nos detalhes. Ele também comenta sobre o fato de chamarem os veículos de “avião” em vez de “nave espacial”:
Iyoku: “O fato de estarmos chamando de ‘avião’ tem o seu próprio significado. Do ponto de vista dos habitantes do Mundo dos Demónios, o espaço não é, por assim dizer, um ‘mundo à parte’. A ideia é que é uma extensão do seu próprio Mundo dos Demónios, por isso a imagem que eles têm é a de viajar num ‘avião’, o mesmo tipo de veículo. É por isso que estamos usando este termo. E, sobre este ponto também, recebemos instruções diretas do sensei”.
Komaki comenta sobre o encerramento “NAKAMA”, animado inteiramente por Katsuyoshi Nakatsuru. Ela acredita que, graças à habilidade do animador, o encerramento expressa perfeitamente o estilo de Toriyama.
Ela adora muitos dos cortes e destaca como cada sequência conta uma pequena história: mesmo que não faça parte da trama principal, elas ajudam a imaginar a vida cotidiana que os personagens levam durante a sua aventura.
DRAGON BALL DAIMA – EPISÓDIO 20:

Yashima abre o comentário dizendo: “Os desenhos de batalha são incríveis, os movimentos são fantásticos… e, claro, o CG também é excelente. Os cenários, a equipa de fotografia/composição… eles realmente trataram cada frame com muito cuidado. Acho que é uma obra espetacular…”
Iyoku acrescenta que, na sua visão, a ação é uma das características centrais de Dragon Ball, e imagina que é sempre um desafio levar as coisas mais longe a cada vez. Ele pergunta a Komaki quais foram as maiores dificuldades e se houve algum aspecto em que ela foi particularmente exigente.
Komaki responde que, com o Super Saiyajin 4, o estilo de luta baseava-se em liberar o máximo de poder possível. O maior desafio foi equilibrar essa explosão de poder com uma sensação de velocidade.
Ela acrescenta que os efeitos sonoros também foram um ponto crucial: eles mudam acentuadamente depois de Gomah crescer, e ela considera que esse é um dos principais destaques do episódio. Por fim, ela elogia imensamente a música do Maestro Kōsuke Yamashita e Naofumi Jinbo pela forma como foi colocada.
Iyoku nota que Gomah utiliza uma variedade de técnicas, com sons sobrepostos de diferentes formas, criando um resultado realmente eficaz. A batalha torna-se ainda mais complexa pela diferença de tamanho: Gomah está agora gigantesco, enquanto Goku regressou à sua forma adulta. Retratar confrontos em escalas tão diferentes é difícil — especialmente em momentos como aqueles em que “você pode agarrar o grandão” (eles riem).
Ele pergunta a Yashima se este teve alguma consideração particularmente obsessiva ao lidar com esta diferença de tamanho — por exemplo, quando um soco atinge o alvo mas a disparidade de físico é enorme.
Yashima responde que, uma vez que Goku está em Super Saiyajin 4, mesmo com tal diferença de força física, quando um golpe acerta… ele realmente acerta. Ele reitera (como já disse muitas vezes) que se consegue sentir a alegria dos animadores ao desenhar estas cenas, embora os cortes fossem muito complexos. Depois, ele ri e admite que talvez “alegria” não seja exatamente a palavra certa, e teme que alguns animadores o possam “linchar” por dizer isso.
Komaki explica que, de fato, um diretor de animação que trabalha em Dragon Ball há muito tempo disse que este foi o trabalho mais difícil que já fez. Ela acrescenta, ao rir, que foi “realmente difícil”. Mas precisamente por carregar o nome de Dragon Ball, muitos animadores estão dispostos a dar tudo de si.
Originalmente, ninguém tinha previsto que Gomah se tornaria tão grande ou que assumiria aquela forma. Komaki destaca que, precisamente por ser um design simples, é muito difícil transmitir uma sensação de escala.
Ela sente que fizeram um excelente trabalho ao retratá-lo, graças também aos cenários e layouts muito bem executados.
Iyoku pergunta quais foram os papéis de Yashima e Komaki no episódio final.
Yashima diz que decidiu confiar tanto o storyboard quanto a direção a Komaki, chamando isso de um verdadeiro “tour de force” (feito memorável) para ela.
Komaki diz que a ação vinha crescendo desde os episódios anteriores e ela se perguntava até onde poderia levá-la. No fim, ela sentiu que “não tinha escolha a não ser ir até o fim” e, por isso, desenhou alguns storyboards “insanos”.
Komaki explica que, para a cena do Kamehameha, utilizaram efeitos de composição diferentes do habitual. O Kamehameha do Super Saiyajin 4, após o Goku crescer, foi um dos elementos em que foram mais meticulosos.
Iyoku diz que ficou impressionado com a rajada de energia que viaja através dos vários mundos.
Komaki: “Não sabíamos como era o espaço fora do Reino dos Demônios, por isso, na verdade, queríamos ampliar mais o plano, mas acabamos por mantê-lo mais ou menos confinado ao Reino dos Demônios”.
Relativamente aos efeitos residuais do Kamehameha — como a energia que chega a pairar nas unhas de Goku — Komaki explica que não foi uma instrução direta dela: o departamento de fotografia/composição tomou a iniciativa e continuou a adicionar detalhes até produzir um plano verdadeiramente espetacular.
Na cena após o Kamehameha, enquanto Gomah recupera as suas forças, Iyoku comenta que é um momento em que nos perguntamos até onde ele conseguirá ir.
Ele enfatiza que o CG — mais precisamente, os cenários e a composição — são incríveis. Komaki acrescenta que, aqui também, a equipe propôs imensas ideias para efeitos e detalhes visuais.
Iyoku observa que o resultado nunca parece caótico; o equilíbrio é excepcional:
Iyoku: “Há tanta coisa na tela, mas se chegasse ao ponto de não se conseguir perceber o que estava acontecendo, perderia o seu significado”.
A conversa passa para a criação do novo design do Super Saiyajin 4.
Iyoku: “Para isto, também pedimos ao sensei para cuidar do design, apesar de sabermos que já existia um design original (DBGT). Primeiro decidimos que ele deveria aparecer e, quando discutimos como lhe dar um toque específico de DAIMA, nos focamos na ação. De fato, há aquela cena em que ele tira e atira fora a sua roupa…. Aparentemente, a ideia de as suas roupas se rasgarem — dado que aquele uniforme é muito importante pra ele — não foi do seu agrado. Parece que ter a transformação rolando sem rasgar o uniforme foi algo em que ele insistiu muito”.
Iyoku diz que, com os novos personagens, eles queriam torná-los o mais ativos possível — não apenas fazê-los aparecer, mas fazê-los tomar ações concretas na história. Um exemplo é Majin Kuu, que permaneceu como um elemento-chave até o fim.
Iyoku: “Eu ia dizer isto lá no comentário do episódio 1, mas, na verdade, a história não estava completa desde o início quando a produção do anime começou. Tínhamos recebido cerca de metade da história original, talvez até o episódio 9 ou 10. E então, enquanto a produção já estava em andamento, recebemos os roteiros do Toriyama-sensei do episódio 10 em diante e os produzimos. Como foi assim que aconteceu, trabalhamos na produção com um pouco de nervosismo e suspense…”
Komaki: “Dito isso, olhando para trás, acho que essa forma de construir a história foi algo bom. Acho que a imagem que tínhamos dos personagens no início mudou quando fizemos a segunda metade após cuidadosa consideração. Os personagens foram provavelmente caracterizados e tornaram-se mais ‘densos’ de diferentes maneiras à medida que avançávamos”.
Iyoku admite que, honestamente, não achava que a história seguiria por esse caminho. Yashima concorda e menciona que, nos episódios 3 e 4, quando aqueles insetos apareceram, ele chegou a se perguntar se seriam usados novamente.
Iyoku explica que, quanto ao fluxo do final, eles refizeram a sequência diversas vezes, sendo testados para encontrar a melhor ordem e conteúdo. Komaki questiona se o fato de Kuu se tornar o novo Rei Demônio já estava decidido desde o início.
Iyoku responde que não pode dizer com certeza, mas revela que, para essa parte da história — quem faria o quê e a ordem dos eventos —, eles mudaram bastante as coisas, então esse desfecho não era o plano original.
FONTES:
https://x.com/Venixys/status/1972345720939450490
https://x.com/Venixys/status/1973068789680931079
https://x.com/Venixys/status/1973428032691118384
